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Casa do lobby
Vice da CEF é chamada por CPI dos Bingos
A CPI dos Bingos vai convocar a vice-presidente da área de tecnologia da Caixa Econômica Federal, Clarice Copetti, para depor sobre o vazamento de informações sigilosas da conta do caseiro Francenildo dos Santos Costa. O depoimento deve ocorrer nesta quinta-feira.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento de convocação, disse que a vice-presidente teria comentado sobre as dificuldades para se rastrear o nome do funcionário que obteve os dados do caseiro, dizendo que não é uma "operação simples". Além de falar da violação do sigilo de Nildo, Clarice Coppetti deve prestar informações sobre a contratação de 25.000 terminais de computadores pela Caixa por meio da empresa Diebold Procomp.
Nesta terça, um integrante da CPI dos Bingos recebeu a informação de que a ordem para violar o sigilo bancário do caseiro partiu do gabinete da Presidência da Caixa. Os dados, extraídos do sistema do banco com a senha de um gerente, teriam sido encaminhados por fax a um assessor especial do ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho. O comando da Caixa admitiu o fato para três senadores integrantes da CPI. Dias, Flávio Arns (PT-PR) e Wellington Salgado (PMDB-MG) estiveram no edifício-sede da Caixa, onde foram recebidos por seu presidente, Jorge Mattoso, e oito diretores.
Dias contou à reportagem do jornal O Estado de S.Paulo que ele próprio levou ao encontro uma cópia do extrato bancário do caseiro. Dirigentes da Caixa disseram que aquele tipo de extrato não pode ser retirado em máquina de auto-atendimento ou serviço de internet banking. O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), transferiu para a próxima semana a votação dos requerimentos polêmicos que estavam previstos para esta quarta - como o da convocação do presidente da Caixa, Jorge Mattoso.
STF -
A comissão impetrou nesta quarta um novo mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar cassar a liminar que suspendeu, na semana passada, o depoimento de Francenildo aos parlamentares. Antes de a sessão ser interrompida, Francenildo confirmou que viu Palocci na "casa do lobby", onde trabalhava como caseiro, "umas dez ou vinte vezes." A CPI já teve um recurso negado esta semana pelo presidente do STF, ministro Nelson Jobim. No novo recurso, os parlamentares alteram os argumentos utilizados para tentar convencer o Supremo de que o depoimento do caseiro está dentro do foco de investigação da comissão.Nildo -
Francenildo dos Santos Costa, de 24 anos, foi caseiro da casa alugada por ex-assessores de Palocci na Prefeitura de Ribeirão Preto durante oito meses, até o início de 2004. E diz ter visto o ministro Palocci várias vezes no local. Palocci afirma que nunca esteve na casa. A CPI dos Bingos investiga a participação do ministro em um esquema de lobby coordenado pelos ex-assessores.Ainda de acordo com o depoimento do caseiro, a casa também usada para distribuição de dinheiro vivo, festas com garotas de programa e partidas de tênis. Palocci era chamado por todos de "chefe", segundo Francenildo. O caseiro teve seu depoimento à CPI interrompido na quarta-feira da semana passada por uma liminar do Supremo Tribunal Federal concedida a pedido do senador Tião Viana (PT-AC), depois de uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dois dias depois, dados bancários do caseiro foram divulgados pela imprensa.


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