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Na tentativa de 'derrubar' caseiro, Palocci chegou a procurar responsável pela Abin
Na sua tentativa para desmoralizar o caseiro Francenildo dos Santos Costa, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci tentou mobilizar até Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Dias depois da divulgação do sigilo bancário de Francenildo na imprensa, e da péssima repercussão que o caso teve na opinião pública, o ex-ministro procurou o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix, a quem a Abin está subordinada. O GSI é o órgão responsável por passar informações ao presidente
Palocci pediu que a área de inteligência do governo descobrisse quem estava tentando "prejudicá-lo". Para ele, o caseiro que afirmava tê-lo visto várias vezes na mansão alugada em Brasília por lobistas da chamada república de Ribeirão Preto, agia a mando de um grupo da oposição. Sua proposta, no entanto, foi rejeitada. A resposta teria sido que os agentes de inteligência existem para investigar questões de interesse do Estado, não de pessoas. Palocci saiu da conversa irritado e chegou a se queixar a interlocutores. Para ele, os servidores que se negavam a ajudá-lo não entendiam que na verdade seus inimigos buscavam "sangrar o governo", numa disputa eleitoral.
Os primeiros movimentos de Palocci para reagir às denúncias do caseiro envolveram a Caixa Econômica Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, conforme informou reportagem desta semana de VEJA, que chegou às bancas no sábado. VEJA também informa que chegou-se a discutir, numa reunião realizada na casa do ex-ministro, a hipótese de se oferecer 1 milhão de reais para quem assumisse a responsabilidade sobre a quebra de sigilo do caseiro, Não houve ninguém interessado.
Ribeirão Preto - O caseiro, porém, não foi a única preocupação do ex-ministro. Em reunião com o secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg, em 16 de março, Palocci também perguntou sobre mudanças nas investigações sobre sua gestão como prefeito de Ribeirão Preto. Ele queria de tirar o comando da apuração da Polícia Civil e do Ministério Público e transferi-lo para a Polícia Federal. A informação consta do depoimento concedido por Goldberg à PF no domingo, quando o secretário confirmou que Palocci também quis saber se a PF poderia investigar o caseiro Francenildo do Santos Costa, conhecido como Nildo.
Em Ribeirão, Palocci e seus ex-assessores são investigados por supostas práticas ilegais, como manipulação de licitações, pagamento de propina e tráfico de influência. Esses assessores montaram e freqüentaram a mansão de Brasília, onde o caseiro afiram ter visto Palocci várias vezes.
A PF deve indiciar Palocci por participação na violação ilegal do sigilo bancário do caseiro. Outro objetivo dos agentes federais é encontrar oex-assessor de Palocci Marcelo Netto para prestar depoimento. Netto teria participado do plano para desmoralizar o caseiro e teria ainda divulgado a quebra de sigilo para a imprensa.


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