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Silvio Pereira não confirma nem desmente declarações, em seis horas de depoimento
Em mais de seis horas de depoimento à CPI dos Bingos nesta quarta, o ex-secretário-geral do PT não confirmou nem desmentiu declarações anteriores que davam mais detalhes do esquema do "mensalão". Além disso, "Silvinho" evitou ataques a figuras de dirigentes e ex-dirigentes da legenda, como o ex-deputado José Dirceu e o ex-presidente do partido José Genoino - a quem chamou de "líderes políticos". Por fim, ele disse que votaria no presidente Lula nas próximas eleições.
As declarações que provocaram a ida de Pereira à CPI foram publicadas no domingo, em entrevista do ex-secretário ao jornal O Globo. Ali, ele dizia que o esquema comandado pelo empresário Marcos Valério pretendia arrecadar mais de 1 bilhão de reais para o caixa eleitoral petista.
O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), chegou a reler toda a entrevista, na tentativa de forçar Pereira a se pronunciar a respeito de suas declarações anteriores. Assim mesmo, o ex-dirigente afirmou que não podia confirmar nada. "Posso ter dito coisas que são criação da minha cabeça, disse Pereira. Ele também afirmou que "não foi a primeira vez" que teve momentos de "fantasias e delírios".
Pereira repetiu várias vezes que não confirmaria o conteúdo da entrevista para O Globo porque não queria "incriminar pessoas inocentes". Ele voltou a jogar a culpa sobre Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, pelo "mensalão". "Por mais inverossímil que possa ser, o Delúbio tinha controle absoluto. Se mais alguém tinha, eu não sei", disse.
O ex-dirigente chegou a contestar a transcrição da entrevista ao jornal. "Não lembro ter dito à repórter que queriam me matar", disse, ao responder ao senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). Neste momento, Efraim Morais anunciou que vai atuar para dar "garantia de vida" ao ex-secretário-geral do PT.
Primeira negativa - O depoimento do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira à CPI dos Bingos começou por volta das 11hs30 desta quarta-feira. Ele se negou a assinar o termo de compromisso para falar a verdade que lhe foi entregue na abertura da sessão. "Eu me nego a assinar", disse. Quando começou a falar, Silvinho, como é chamado no PT, mostrou-se lento com voz baixa e pausada. Comentou a reportagem do jornal O Globo e disse que não se lembrava de tudo que havia dito à repórter, pois havia ficado muito 'transtornado' no dia da entrevista. "Sobre essa reportagem, não sei mais onde está a verdade. Eu não sei se o que eu falei ali era verdadeiro. Eu não sei mais", disse.
"Eu não sei de onde eu tirei isso: se foi da imprensa, se foi de ouvido ou se foi da minha cabeça", afirmou ele se referindo sobre o plano do empresário Marcos Valério de Souza de arrecadar R$ 1 bilhão para financiar campanhas eleitorais. Antes de comentar a entrevista, Silvinho afirmou que não sabia que estava sendo entrevistado. "Fiquei explicando para a jornalista que não estava dando entrevista. Não queria essa reportagem. Para o jornal O Globo, Silvinho disse que a intenção do empresário Marcos Valério e de dirigentes do PT era arrecadar 1 bilhão de reais por meio de negociatas envolvendo bancos em processo de liquidação no Banco Central.
O depoimento de Pereira foi mantido, apesar da tentativa da defesa do petista de adiar a sessão. Na noite desta terça-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) indeferiu um pedido de liminar para livrar Pereira do depoimento. Conforme a corte máxima do país, havia erro técnico no pedido do advogado. Assim, o antigo dirigente petista foi obrigado a comparecer e falar à comissão.
A defesa de Silvio Pereira entrara com o pedido de liminar na própria terça-feira, tentando dispensá-lo do depoimento na CPI dos Bingos. Os advogados de Silvinho apresentaram laudo médico alegando que ele enfrenta quadro de "stress pós-traumático" e "depressão", além de argumentar que a convocação foi feita em prazo menor do que 48 horas do depoimento - o que tornaria a sua presença não-obrigatória.
O laudo médico diz que, no momento em que foi examinado, o ex-secretário-geral estava "absolutamente descompensado emocionalmente, com humor lábil (instável), propendendo para o pólo depressivo, com ideações de menos valia, bem como de auto-extermínio (suicídio)". Por fim, os médicos sugerem a "internação" dele para a "administração de remédios".
Já prevendo a possibilidade de o STF negar a liminar favorável, a defesa apresentou também um requerimento "alternativo", caso Silvinho fosse mesmo obrigado a depor. Nesse caso, os advogados pediam que o STF determinasse que os parlamentares só fizessem questões ligadas ao "foco das denúncias" de irregularidades, envolvendos as casas de bingo e a Caixa Econômica Federal. Também esse pedido foi rejeitado pelo Supremo.
Intimação - Silvio Pereira recebeu intimação para depor na CPI nesta segunda-feira, em São Paulo. O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), chegou a dizer que poderia mandar prender o ex-dirigente petista caso ele não comparecesse espontaneamente ao depoimento. Isso porque ele já faltou à última convocação. "Ele virá à CPI de qualquer maneira, nem que seja preso. Se não aparecer, vou usar as prerrogativas da CPI e mandar prendê-lo", afirmou Efraim Morais.
Em entrevista ao jornal O Globo no domingo, Silvio Pereira deu novos detalhes do esquema do mensalão. Ele disse que a intenção do empresário Marcos Valério e de dirigentes do PT era arrecadar 1 bilhão de reais por meio de negociatas envolvendo bancos em processo de liquidação no Banco Central. A oposição já temia que a convocação de Pereira fosse anulada por decisão do STF.


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