Brasil

Severino já prepara discurso de renúncia. Será na 4ª-feira

Giancarlo Lepiani

O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), deverá renunciar ao cargo e ao mandato nesta semana, em função da acusação de recebimento de propina revelada no início do mês por VEJA. Severino passou o domingo reunido com os assessores e aliados políticos, a quem comunicou a decisão de renunciar. Aproveitou para começar a preparar um discurso para sua saída. Nesta segunda-feira, Severino esteve com o presidente Lula e comunicou sua decisão de renunciar, segundo reportagem do Jornal Nacional. Severino chegou ao Palácio do Planalto pouco ante sda s 19h e deixou o local às 20h sem dizer nada.

Também nesta segunda, o presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), resolveu adiar para quarta-feira a abertura da representação contra Severino Cavalcanti. "Vamos aguardar, já que existe a possibilidade de renúncia", comentou Izar à Agência Câmara. O início do processo estava previsto para esta terça.

Candidato - Segundo disse aos correligionários, Severino quer disputar a eleição em 2006 e voltar à Câmara em 2007, sem qualquer tipo de punição. Ele avalia que será cassado se continuar no cargo - nesse caso, ficaria inelegível por oito anos. De acordo com uma reportagem publicada nestas segunda-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, o discurso de renúncia deve ocorrer na quarta-feira.

Severino deverá justificar a renúncia com o argumento de que é "perseguido" politicamente, além de rebater a denúncia de que recebia um "mensalinho" do empresário Sebastião Buani. Como os outros deputados que já renunciaram em função das denúncias de corrupção, Severino deve usar o discurso para falar de sua trajetória política. O discurso vai ser redigido pelos assessores.

Reunião - Mesmo decidido a renunciar, o presidente da Câmara vai continuar dizendo que ainda não tem uma posição até o dia do discurso. Aliados vêm incentivando esse "suspense" de Severino para pressionar o governo a defendê-lo. O deputado João Caldas (PL-AL), por exemplo, insinuou que Severino cairá levando mais gente com ele. Além disso, defendeu a hipótese de afastamento.

Uma possível licença temporária de Severino é combatida pelo governo, já que deixaria a presidência da Câmara nas mãos de um oposicionista, José Thomaz Nonô (PFL-AL).

Serviços

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados