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Eleições 2006
Serra rejeita a prévia e abre caminho para Alckmin, que ganha apoio de Aécio Neves
A resistência do prefeito de São Paulo, José Serra, a enfrentar prévias do PSDB para concorrer à Presidência da República acabou aumentando as possibilidades de indicação do governador paulista, Geraldo Alckmin. Na sexta-feira, Serra disse à cúpula tucana que não aceita disputar a indicação partidária. No final de semana, em conversas privadas, o presidente da legenda, Tasso Jereissati, teria reiterado que a única forma de Serra ser o candidato seria disputando prévias com Alckmin.
Tasso afirmou que o nome do futuro candidato será anunciado nesta terça-feira. Nesta segunda, Alckmin disse que não vê problema caso o prazo seja estendido. "A data final é 31 de março, por conta da questão da desincompatibilização. É um prazo legal que não pode ser ultrapassado", disse. "Mesmo assim, tenho a impressão de que o prazo (terça-feira) será mantido", ressalvou.
Já para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), a situação é complicada e dificilmente a definição saia nesta terça. "A gente espera que isso se resolva amanhã. Se não tiver decisão, temos três caminhos: a direção nacional ou a Executiva decidem a questão ou chamamos uma pré-convenção para o final deste mês."
Dois dirigentes do PSDB ligados a Serra e um aliado de Alckmin disseram à agência Reuters que o prefeito rejeitou vigorosamente a hipótese de disputar as prévias com Alckmin. O governador, segundo as mesmas fontes, manteve sua candidatura e informou à direção do partido que só desiste se for derrotado em uma instância partidária ampla, como o diretório nacional ou uma pré-convenção do PSDB. "Serra se colocou à disposição do partido, mas, se não aceitar a disputa até esta segunda, Tasso não terá alternativa a não ser anunciar o nome do Geraldo na terça", disse um dos articuladores do apelo ao prefeito, que pediu para não ser identificado.
Hesitação -
A disputa aberta nunca esteve nos planos de Serra, que desde agosto do ano passado vem sendo apontado pelas pesquisas de intenção de voto como o candidato mais forte para derrotar Lula. Sua hesitação, no entanto, permitiu que Alckmin intensificasse a campanha dentro do partido e ganhasse espaço. Neste fim de semana, até o governador de Minas, Aécio Neves, antes favorável ao lançamento de Serra ao Palácio do Planalto, disse a interlocutores que, "a essa altura do campeonato", o governador Geraldo Alckmin é a melhor opção do PSDB para evitar mais desgaste num momento de ascensão de Lula.Aécio chega a apostar no anúncio de uma dobradinha amanhã, com Alckmin para a Presidência e Serra para o Palácio Bandeirantes. A hipótese tem sido rechaçada por serristas. Caso Serra aceite a disputa até a tarde desta segunda, o diretório ou a pré-convenção teriam de se reunir até última semana de março. É o prazo que o prefeito tem para renunciar ao cargo e cumprir a lei eleitoral, se quiser concorrer à presidência da República. Alckmin já anunciou que deixará o governo de São Paulo no dia 31 deste mês.


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