20/11/2005 - 08:14
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São Paulo

O 'rombo' em Ribeirão foi de R$ 400 mil

Marcio Oyama

O suposto esquema de corrupção que teria sido montado na segunda gestão de Antonio Palocci na Prefeitura de Ribeirão Preto pode ter desviado dos cofres públicos até 400.000 reais por mês. Segundo a Folha de S. Paulo, documentos em poder do Ministério Público Estadual (MPE) e da Polícia Civil são considerados as principais provas de irregularidades no serviço de limpeza pública de Ribeirão.

Os papéis trazem ordens de serviço, boletins de medição e planilhas, todos supostamente adulterados, além de depoimentos de dois funcionários que confirmam a falsificação dos números em benefício da empreiteira Leão Leão - acusada por Rogério Buratti, ex-assessor de Palocci, de pagar propina de 50.000 mensais ao então prefeito, entre 2001 e 2002.

Ainda segundo a Folha, os 400.000 reais são a diferença média dos valores pagos mensalmente pelo Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto) pela varrição de ruas entre 2004 (1,073 milhão de reais) e 2005 (671.407,66 reais), já na atual administração. Em 2002, o valor médio mensal pago à Leão era de 842.307,16 reais. Os números de 2004 são da administração Gilberto Maggioni (PT), que herdou o cargo de Palocci e também, segundo Buratti, o 'mensalinho' da Leão.

De acordo com a polícia, não houve redução dos serviços prestados de um ano para outro."No ano de 2005, os valores são efetivamente do trabalho desenvolvido, não havendo nenhum acréscimo, portanto, pode-se verificar com certeza a diferença entre quando existia a expedição da ordem de serviço e a realização correta do trabalho", disse uma funcionária responsável pelos registros do Daerp, em depoimento à polícia e ao MPE.

As irregularidades teriam começado em 2001, no primeiro ano de governo de Palocci, e ocorreram a mando da então superintendente Isabel Bordini, que obrigava os engenheiros do Daerp a alterar seus números para se enquadrar aos enviados pela Leão, que recebia por serviços não realizados.

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, não comentou a denúncia. A ex-superintendente Isabel Bordini também não respondeu ao e-mail enviado pela Folha - o procedimento é uma exigência dela para conceder entrevistas.

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