04/04/2006 - 19:20
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CPI dos Correios

Relatório petista livra Dirceu e Gushiken

Silvio Nascimento

O PT apresentou nesta terça-feira ao relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), um relatório paralelo ao da comissão. O documento tem três volumes e entre as principais mudanças pedidas estão a retirada das acusações contra os ex-ministros Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação de Governo) e José Dirceu (Casa Civil). A proposta do PT sugere que o Ministério Público investigue a ação de ambos, enquanto o relatório apresentado por Serraglio pedia o indiciamento deles por corrupção ativa.

Além disso, o relatório petista nega a existência do mensalão, e pede que os deputados e ex-deputados que estariam envolvidos no esquema também sejam investigados pelo MP. No caso de Duda Mendonça, ex-marqueteiro de Lula, o pedido é para que o MP avalie a possibilidade de sonegação fiscal, crime contra o sistema financeiro e a ordem tributária e lavagem de dinheiro.

Ainda na noite desta terça a Comissão tinha reunião com o PT para que a oposição e o partido negociem a possibilidade de o PT desistir do relatório paralelo. Segundo a Agência Câmara, em troca, a oposição aceitaria fazer modificações no texto de Serraglio. O documento será votado nesta quarta-feira.

No encontro de negociação devem estar o relator Serraglio; o presidente da CPI, senador Delcidio Amaral (PT-MS); o presidente do Senado, Renan Calheiros; o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (SP); o relator-adjunto Marício Rands; e os sub-relatores de Contratos, José Eduardo Cardoso (PT-SP), e de Fundos de Pensão, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-PR).

Alterações - O partido do presidente Lula não quer incluir no relatório o termo "mensalão", critica a designação da Visanet como fonte de recursos do valerioduto e não aceita a sugestão de indiciar Gushiken e José Dirceu.

De acordo com a líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), o partido não abre mão de alterar o relatório de Serraglio e não aceita que o empréstimo do empresário Marcos Valério ao senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) seja considerado legítimo, enquanto o do PT é classificado como irregular. "Ou os dois são verdadeiros ou são uma farsa", disse Ideli.

O texto do relatório do PT ainda afirma que a origem do esquema montado por Marcos Valério está no PSDB e data do período de 1997 a 1998, quando o então governador de Minas, atual senador Eduardo Azeredo (PSDB), fez campanha pela reeleição.

Concluisão - Na votação dos relatórios, nem a oposição nem o governo têm segurança de conseguir maioria dos votos na comissão. Serraglio teme que a CPI acabe sem relatório. "Meu medo é que derrubem o meu relatório e não tenham votos suficientes para o deles. Aí seria muito triste", Disse Serraglio.

Caso não haja acordo para a votação, um líder partidário poderá pedir preferência para o relatório do PT, apresentado na forma de voto em separado, como prevê o Regimento Interno da Câmara, podendo ser apresentado por qualquer dos demais integrantes.

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