07/03/2006 - 08:41
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Câmara

O relator pede a cassação de João Paulo

Katia Perin

O deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), relator do processo por quebra de decoro contra o ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), no Conselho de Ética da Casa, recomendou nesta terça-feira a cassação do mandato do parlamentar. No entanto, um pedido de vista da deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) adiou por duas sessões a votação do parecer do relator no conselho - ela deve ocorrer na quinta-feira.

João Paulo Cunha foi citado no relatório preliminar conjunto das comissões parlamentares mistas de inquérito dos Correios e da Compra de Votos - esta já encerrada - como beneficiário de recursos repassados pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Valério é apontado como um dos operadores do suposto esquema de compra de votos de parlamentares da base aliada.

O relator usou o depoimento de João Paulo e documentos apresentados pela defesa para justificar o pedido de cassação. Para comprovar a tese de tráfico de influência, o relator detalhou a relação próxima de João Paulo com Marcos Valério, citando um café da manhã na residência oficial da presidência da Câmara em 3 de setembro de 2003 - um dia antes do saque de 50.000.

Além disso, Schirmer lembra que a SMPB foi responsável pela campanha à Prefeitura de Osasco em 2004. "Não é crível que tais fatos não tenham entre si conecção inexplicável e comprometedora", diz Schimer.

Cunha confirmou que sua mulher, Márcia Milanésio, sacou 50.000 reais da conta da SMPB, empresa de Marcos Valério Fernandes de Souza, na agência do Banco Rural em Brasília. A confirmação, no entanto, só foi feita pelo petista depois de ele ter apresentado uma versão de que Márcia teria ido ao banco para reclamar de erro em uma fatura de TV por assinatura.

Em sua defesa, João Paulo disse que não cabia a ele - e sim ao partido contabilizar os 50.000 e rechaçou as acusações de que teria favorecido a SMPB em contrato de publicidade na Câmara. "Eu não escondi o saque e peço absolvição do Conselho. Eu tenho dedicação de 24h em defesa do Legislativo. Trabalhei sempre com altivez. Volto a dizer que não sabia de nada, só que, pelo o que me constam, minha palavra não vale nada. Nada do que fiz aqui na Câmara vale alguma coisa", desabafou o deputado petista.

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