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Quase 10 horas de depoimento no Senado e ministro Palocci continua no alvo da CPI
O depoimento do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado terminou na madrugada desta quinta-feira. Durante 9 horas e 45 minutos, ele tentou se explicar e evitar a sua convocação para a CPI dos Bingos, que investiga denúncias de corrupção durante a gestão do ministro na prefeitura de Ribeirão Preto. Não deu certo. Numa reação à manobra dos governistas, que anteciparam a data do depoimento de Palocci no Senado, líderes oposicionistas se recusaram a questionar o ministro sobre as denúncias feitas contra ele por seus ex-auxiliares.
A data do depoimento de Palocci na CPI será definida na terça-feira da próxima semana. O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), disse que o depoimento na CAE em "nada altera a necessidade de o ministro depor na comissão". Efraim espera que Palocci explique na CPI as denúncias de corrupção em Ribeirão Preto e os supostos repasses de recursos do exterior para o financiamento da campanha do presidente em 2002. No Senado, Palocci afirmou que não houve dinheiro vindo de Cuba, Angola ou das FARCs para a eleição de Lula, quando ele era coordenador da campanha eleitoral.
Estratégia - Durante o depoimento de Palocci, os senadores de oposição usaram a estratégia de se concentrar na economia para obrigá-lo a comparecer na CPI dos Bingos. O tratamento foi acertado numa reunião de mais de três horas das bancadas de senadores do PSDB e do PFL. A idéia inicial era não comparecer à exposição do ministro na CAE, mas acabou prevalecendo a proposta de restringir as perguntas a questões afetas à economia, deixando claro que o foro para tratar de denúncias é a CPI dos Bingos. "Fazer o contrário seria desprestigiar as apurações das CPIs", explicou o líder pefelista José Agripino (RN).
O ministro prometeu que não deixará de cumprir uma convocação, embora todo o esforço dos governistas esteja concentrado em evitar esse cenário. "Estarei presente em todos os momentos em que minha presença for requerida", anunciou. Na fase final de seu depoimento, o ministro ainda ouviu da senadora petista Ideli Salvatti (SC) que ele deveria se antecipar e tomar a iniciativa de comparecer à CPI. Bem-humorado, Palocci disse: "Eu também tenho a minha parte de sacrifício a doar nesse processo político. Vou fazê-lo da maneira mais aberta possível, apelando aos colegas da oposição que olhem as questões com serenidade."


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