11/05/2006 - 08:50
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Brasil

PT é acusado de achaque pelo Opportunity

Giancarlo Lepiani

O grupo Opportunity enviou um documento à Justiça dos Estados Unidos relatando que foi alvo de achaque do PT. A carta, que um parlamentar de oposição apresentou na sessão de quarta-feira da CPI dos Bingos, indica que o grupo foi procurado pelo PT nos anos de 2002 e 2003 e, ao negar a propina, de "dezenas de milhões de dólares", foi "perseguido". O partido nega as acusações.

A carta é assinada pelos advogados americanos do Opportunity, que trava uma disputa com o Citibank naquele país. "O ódio e a perseguição relacionados ao Opportunity começaram com a recusa do banco, em 2002 e 2003, de aceitar a sugestão do Partido dos Trabalhadores de pagar dezenas de milhões de dólares ao partido para evitar pressões governamentais sobre o grupo", diz ela.

A carta não foi comentada por Daniel Dantas, o controlador do grupo. De acordo com reportagem publicada nesta quinta-feira no jornal Folha de S. Paulo, contudo, Dantas sinaliza a interlocutores que está disposto a falar sobre o tema no Congresso e que teria documentos a respeito. A contribuição que teria sido pedida pelo PT seria de entre 90 milhões e 110 milhões de dólares.

'Guerra' a Dantas - O documento entregue à corte tem acesso público e foi exibido à CPI pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio. Não foi apontado nem o autor do suposto achaque nem quem recebeu a pressão no Opportunity. O grupo foi acusado pelo Citibank de chantagem, fraude, negligência e quebra de contrato na gestão de recursos investidos nas privatizações no Brasil.

A defesa do Opportunity já dizia que o grupo teve suas atividades prejudicadas pelo governo do PT. Só com a carta, contudo, a explicação sobre o suposto motivo da "perseguição" foi revelada. Além da carta, Virgílio apresentou um e-mail em que Verônica Dantas, irmã do controlador do Opportunity, fala que integrantes do governo promoveriam uma "guerra" para afastá-lo do cargo.

A correspondência faz menção direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu. O governo não comentou a denúncia. Já o presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse que a acusação é "fantasiosa" e que Dantas, caso tivesse mesmo sofrido achaque, deveria ter ido à polícia. O Citibank também colocou em descrédito a afirmação do grupo.

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