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CPI dos Correios
Pressão e disputa ameaçam relatório final
O relatório final da CPI dos Correios deve estar pronto nesta terça-feira. O clima à véspera desse dia decisivo, porém, é de disputas e desentendimentos. O Planalto e seus aliados pressionam para suavizar o texto e salvar do pedido de indiciamento petistas como José Dirceu, Luiz Gushiken e José Genoino. A alegação dos governistas, que estaria sendo aceita pelo presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), e pelo relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), é de que, apesar das suspeitas de envolvimento dessas pessoas em irregularidades, não há provas. Dessa forma, não há embasamento técnico-jurídico para pedir esses indiciamentos.
Os oposicionistas fazem pressão pelo contrário e acusam petistas de aliciar os funcionários da comissão para fazer um texto alternativo ao do relator. Eles acusam o governo de ter aliciado três funcionários do Banco Central, que foram designados para auxiliar na análise de documentos da CPI. Os funcionários seriam ligados ao PT e estariam produzindo um levantamento paralelo para subsidiar um relatório contrário ao oficial.
A divisão da CPI é evidente até entre seus líderes. Delcídio Amaral tenta convencer Serraglio a elaborar um texto enxuto e sem adjetivos fortes. Essa é a linha preferida pelo governo que tenta evitar a contextualização do mensalão e poupar os ex-ministros. Mas a oposição quer ênfase. "O PFL não vai aceitar que qualquer tipo de pressão prejudique a contundência que deve ser a marca do relatório final", disse o sub-relator de fundos de pensão, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).
O relator - Tudo indica, porém, que apesar da pressão, Serraglio mantenha no texto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sido informado do esquema do "mensalão" pelo deputado cassado Roberto Jefferson (PTB). A citação deve ser feita quando Serraglio explicar como a CPI passou a investigar Marcos Valério de Souza. O relator pretende contestar as afirmações do presidente e dos acusados de envolvimento de que nada sabiam. E também deve manter a caracterização de que os saques feitos por deputados nas contas de Valério serviram como compra de apoio parlamentar.


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