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Polícia Federal desiste de convocar Bastos
A Polícia Federal informou nesta segunda-feira que não vai convocar nem investigar a participação do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, no episódio da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa na Caixa Econômica Federal. A decisão foi tomada pela juíza Maria de Fátima Pessoa, da 10ª Vara Federal. Ela acolheu pedido do delegado Rodrigo Carneiro Gomes, que conduz inquérito sobre a violação do sigilo do caseiro. A PF é subordinada ao Ministério da Justiça.
Reportagem de VEJA desta semana informa que Bastos se reuniu com o então ministro Antonio Palocci, o então presidente da Caixa, Jorge Mattoso, e o advogado Arnaldo Malheiros, no dia 23 de março, uma semana depois da violação. Bastos afirma que, na ocasião, apresentou Malheiros a Palocci e esteve com eles e Mattoso por cerca de 30 minutos, na casa do ex-ministro da Fazenda, em Brasília. O tempo, segundo o ministro, serviu para que Malheiros fizesse uma explanação jurídica sobre quebra de sigilo bancário.
Esse intervalo de sete dias, para a PF, justifica tecnicamente a desnecessidade de ouvir o ministro da Justiça, porque o inquérito apura a violação do sigilo, e não a linha de defesa que Palocci montou. Quando houve a reunião na casa do então ministro da Fazenda, o crime (quebra do sigilo) já se havia consumado, segundo avaliação da PF. Assim, não haveria motivo para intimar o ministro da Justiça.
Márcio Thomaz Bastos teria dado sinais de sentir-se "desconfortável" no cargo. Ele teria inicialmente estabelecido um prazo de 40 dias para deixar o posto. Mas, após a revelação de que estivera na casa do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci na companhia do advogado Arnaldo Malheiros, decidiu acelerar sua saída para preservar o governo e sua biografia. Bastos teria dito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que Palocci tenta se vingar, espalhando versões fantasiosas. "Eu não tenho nada a esconder", afirmou ele a Lula.
Senado - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou nesta segunda-feira que, por falta de consenso entre governo e oposição em relação à data, ficou para a semana que vem o depoimento do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, quando dará explicações sobre a sua suposta participação na articulação comandada pelo ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para acobertar responsabilidades na quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Segundo a Agência Senado, Calheiros (PMDB-AL) disse que os líderes alegam que outras pessoas precisam ser ouvidas antes do ministro.
Pela manhã desta segunda, Bastos enviou um ofício para Renan pedindo para falar no Congresso nesta semana. Inicialmente, cogitava-se marcar a ida de Bastos ao Congresso para depois da Páscoa. A divulgação de novas informações sobre a atuação de Thomaz Bastos no caso da quebra de sigilo, na edição desta semana de VEJA, levou o ministro da Justiça a pedir a antecipação do depoimento.


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