05/04/2006 - 12:37
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Câmara

Plenário livra João Paulo da cassação

Katia Perin

Por 256 votos contra 209, o plenário da Câmara rejeitou nesta quarta-feira à noite pedido de cassação do ex-presidente da Casa João Paulo Cunha (PT-SP), recomendada pelo realtor do processo, Cezar Schirmer (PMDB-RS). Foram computados ainda sete votos em branco, dois nulos e nove abstenções.

João Paulo era acusado de ter sido beneficiado por recursos do esquema do publicitário Marcos Valério. O relator considerou que o petista mentiu sobre o saque de 50.000 reais feito por sua mulher, Márcia Milanesi, no Banco Rural, das contas do publicitário.

E Cunha teria mentido também sobre o recebimento de vantagens do empresário mineiro - uma caneta Montblanc e o pagamento de uma viagem da secretária Silvana Japiassu - enquanto a empresa SMP&B ganhava uma licitação milionária na Câmara em sua gestão.

Na terça-feira, João Paulo circulava tranqüilamente pela Casa. Ao entrar no plenário, recebeu cumprimentos e apoio de vários deputados. Mas não quis comentar o processo. "Não dá para saber. Estou conversando muito, mas aqui as coisas mudam muito rápido. Não tenho como prever nada."

A aposta de petistas e aliados é que João Paulo poderá ser favorecido pelas amizades que conquistou durante os dois anos em que foi presidente da Câmara. Mas há também quem argumente que a seqüência de absolvições nas últimas semanas pode levar à cassação de Cunha.

Sem punição - Outros sete acusados de participar do mensalão e processados por quebra de decoro conseguiram se livrar da cassação: João Magno (PT-MG), Wanderval Santos (PL-SP), Pedro Henry (PP-MT), Roberto Brant (PFL-MG), Professor Luizinho (PT-SP), Sandro Mabel (PP-GO) e Romeu Queiroz (PTB-MG).

Até agora apenas três parlamentares perderam seus mandatos: Roberto Jefferson (PTB-RJ), José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE). E mais quatro optaram por outra estratégia, a renúncia, pois além de se livrarem dos processos podem ser candidatos já no próximo pleito: Valdemar Costa Neto (PL-SP), Carlos Rodrigues (PL-RJ), Paulo Rocha (PT-PA) e José Borba (PMDB-PR).

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