Arquivo
Brasil
'Pizza' do mensalão já supera a dos anões do Orçamento. Conselho ataca crise moral
Além de abrir uma grande crise no Conselho de Ética, a absolvição do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) marcou um recorde pouco animador para os brasileiros - a "pizza" do escândalo do mensalão ultrapassou a do caso anões do Orçamento, de 1994. Naquela ocasião, sete deputados foram poupados de punição. A crise do mensalão já tem oito absolvidos por enquanto.
O escândalo da década passada teve 17 acusados, com seis cassados - os outros quatro renunciaram. No caso dos anões, três dos deputados que tiveram parecer favorável à cassação no processo foram poupados na votação em plenário. Desta vez, a impunidade foi maior: seis absolvidos tiveram cassação pedida pelo Conselho de Ética, mas escaparam na votação secreta dos seus colegas.
A "pizza" recorde do mensalão poderá ser ainda maior, já que quatro deputados ainda esperam julgamento - ou seja, o número de absolvidos pode chegar a doze. O PT também entrou para a história da Câmara com um recorde de impunidade no escândalo: com os três deputados já absolvidos, é o partido que mais teve acusados inocentados, superando o PP, PPR e PFL (dois cada, em 1994).
Crise moral - Com cinco renúncias em função da absolvição de Cunha, o Conselho de Ética ficou esvaziado. Para os integrantes do órgão que renunciaram por causa da "pizza" recorde, o momento é crítico para a Câmara. "A Casa vive uma tremenda frouxidão moral", afirmou Cezar Schirmer (PMDB-SP), um dos que renunciaram. Schirmer foi o relator do processo contra João Paulo Cunha.
O presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP) - que impediu que a debandada fosse ainda maior, convencendo quatro deputados a permanecer no órgão -, também lamentou. "O plenário da Câmara não está à altura do sentimento do povo." Para Chico Alencar (PSOL-RJ), outro que renunciou no órgão, "a crise está instalada". "O plenário nos desautoriza, e nosso papel está esgotado."


Comentários