03/04/2006 - 08:20
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Brasil

PF vai indiciar Palocci. Duas testemunhas confirmam ordem para a quebra do sigilo

Katia Perin

A Polícia Federal deve indiciar nesta quarta-feira o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que o acusa de ter freqüentado uma mansão alugada em Brasília por ex-assessores de Ribeirão Preto acusados de corrupção. Palocci pode responder por pelo menos três crimes quebra do sigilo funcional, abuso de poder e advocacia administrativa - isso ocorre quando o servidor age dentro do governo indevidamente em seu benefício ou de terceiro.

A situação do ex-ministro ficou ainda mais difícil depois do depoimento de duas das mais importantes testemunhas do caso da violação à PF. Cláudio Alencar, chefe de gabinete do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Daniel Goldberg compareceram à polícia neste domingo para falar sobre o que sabiam. Os dois confirmaram que foi Palocci quem deu a ordem para a quebra do sigilo bancário de Nildo, como havia informado VEJA na edição desta semana, que chegou sábado às bancas. 

Os dois também confirmaram ao delegado Rodrigo Carneiro Gomes que no dia 16 de março foram chamados por Palocci por volta das 23 horas. Ao chegar na casa do ex-ministro, encontraram lá Jorge Mattoso, então presidente da Caixa Econômica Federal. Segundo o depoimento de Goldberg, Palocci perguntou a ele se, pela área econômica do governo, havia como investigar os depósitos feitos na conta bancária de Nildo. A Cláudio Alencar, Palocci perguntou se não daria para pôr a Polícia Federal no encalço do caseiro. Os dois contaram à PF que responderam a Palocci que fariam as consultas necessárias. No dia seguinte responderam que não havia meios de prosseguir.

A partir de então, Palocci e seu então assessor de Comunicação, Marcelo Netto, começaram a trabalhar com as idéias de ordenar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, que investigasse Nildo. E ainda de encaminhar à PF o pedido de abertura de inquérito por movimentação bancária suspeita.

Neste domingo, José Roberto Leal, advogado de Palocci, afirmou que o ex-ministro não deu a ordem da violação do sigilo e que manterá essa versão quarta-feira durante o depoimento na PF.

VEJA conta a história da queda de Palocci - A edição de VEJA desta semana, que chegou às bancas no sábado, conta a história secreta da mais grave crise do governo Lula. A reportagem detalha como ocorreu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de diversas pessoas, incluindo o caseiro Fancenildo dos Santos Costa, que desmentiu Palocci na CPI dos Bingos. A crise que se seguiu redundou na demissão de Palocci e de Jorge Mattoso, presidente da Caixa Econômica Federal.

Leia reportagem de VEJA: O riso virou choro

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