01/05/2006 - 10:01
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Brasil

Petistas do mensalão comemoram decisão do partido. Ala de Lula tentou ignorar crise

Giancarlo Lepiani

A decisão do PT de adiar a investigação interna sobre o escândalo do mensalão, tomada no Encontro Nacional do partido, no domingo, em São Paulo, foi motivo de comemoração para alguns integrantes da legenda. Já absolvidos no plenário da Câmara, parlamentares como José Mentor e Professor Luizinho - que receberam dinheiro através do chamado valerioduto - já comemoravam a possibilidade de escapar da crise sem receber qualquer tipo de punição.

Na resolução aprovada no domingo, o PT aceitou investigar o mensalão, mas só depois das eleições - para que a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fosse prejudicada - e sem individualizar essa apuração. Ou seja, é muito improvável que Mentor, Luizinho e outros petistas envolvidos sejam punidos, já que a investigação deve se concentrar nos erros coletivos que possibilitaram que o escândalo surgisse no partido.

Muito animados, Mentor e Luizinho saíram juntos do encontro, mas tentaram esconder a euforia ao dizer que essa resolução só confirma o que já havia sido decidido pelo partido. "Eu sou inocente, já provei minha inocência", disse Luizinho. "Eu preciso que essa inocência seja consolidada na Justiça, porque a luta política, já acabou, não é?", completou, dando o caso como encerrado. Luizinho disse ainda que acabou "a baixaria e a perseguição".

O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), confirmou que não serão investigadas as condutas de cada um dos petistas envolvidos no mensalão. "Não se trata de apuração de responsabilidades individuais", disse ele. "Não faremos caça às bruxas." O secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, indicou que a possibilidade de investigar o caso agora era nula. "A prioridade do ano é reeleger o companheiro Lula."

Crise ignorada - Se dependesse da ala mais ligada ao presidente, aliás, não haveria nem sequer discussão a respeito da mais grave crise já vivida pelo partido durante o encontro nacional do fim de semana. Liderados por Ricardo Berzoini, os integrantes do Campo Majoritário tentaram ignorar o escândalo no evento, conforme reportagem que o jornal Folha de S. Paulo publica nesta segunda-feira. Pressionados pelas outras alas, enfim aceitaram ceder.

Tendências como o Movimento PT e a Democracia Socialista exigiram que a crise fosse discutida, e o consenso do partido foi fazer referência bastante genérica à crise no texto do encontro, adiando a apuração. Havia a idéia de se ouvir todos os envolvidos numa comissão de ética interna, mas o grupo ligado ao ex-ministro José Dirceu, um dos acusados, conseguiu vetar a proposta. Até uma idéia mais branda, a comissão de sindicância, não vingou.

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