15/03/2006 - 08:08
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Eleições 2006

Petistas apostam na divisão do PSDB. Mas Lula diz que Alckmin tem 'muito potencial'

Katia Perin

Anunciada a escolha do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para concorrer à Presidência da República pelo PSDB, lideranças do PT e representantes do governo agora apostam na divisão interna dos tucanos para reforçar o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alguns governistas avaliam que a longa e difícil batalha entre Alckmin e o prefeito José Serra, nos últimos meses, pode ter deixado grandes seqüelas à candidatura do governador.

Lula, porém, acredita que Alckmin tem potencial de crescimento e não deve ser subestimado. "Nós não podemos ficar de salto alto nesta eleição", recomendou o presidente a ministros do PT, de acordo com o jornal O Estado de S.Paulo. Um auxiliar direto de Lula disse que Alckmin, com jeito de bom moço, pode surpreender na disputa. "Ele é um picolé de chuchu com tempero de pimenta", comparou o assessor do presidente. "É um livro em branco." Para interlocutores, Lula teria dito que Alckmin tem um índice de rejeição menor e sua imagem pode ser "lapidada" pelo marketing político nos próximos meses.

Petistas mais próximos de Lula reconhecem que Alckmin pode, de fato, ser uma surpresa na corrida presidencial. A ordem no Planalto é para manter a cautela. "Adversário não se escolhe", disse o ministro das relações Institucionais, Jaques Wagner, ao jornal O Globo. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, disse estar despreocupado com a escolha. "O presidente Lula disse que tanto faz, Serra ou Alckmin. Eles se equivalem do ponto de vista eleitoral. A diferença entre eles é mais de estilo. No PT, não vamos mudar nada no nosso planejamento de campanha por causa do Alckmin", avisou Berzoini.

Estratégia - A partir de agora, Lula não quer que o PT critique a política econômica do governo em praça pública. Já pediu até a ministros que façam a defesa de sua gestão na reunião do Diretório Nacional petista, marcada para sábado e domingo. Berzoini já deu pistas de como o governo deve encaminhar a campanha nos próximos meses.

Ele disse que a disputa eleitoral de outubro será em torno de "modelos de governança". "Vamos comparar os oito anos do governo Fernando Henrique com os quatro da administração Lula, lembrando sempre que o PSDB significa privatização, desemprego e segurança pública ineficiente", insistiu.

No Planalto, a ordem é bater nos tucanos e vender as "realizações" do governo petista. Assessores petistas já preparam relatórios sobre a administração de Alckmin em São Paulo, com gráficos dos últimos seis anos do comando tucano no Palácio dos Bandeirantes.

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