15/02/2006 - 06:56
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Brasil

Pesquisa é comemorada por governo Lula e criticada por oposição. PSDB se apressa

Giancarlo Lepiani

A pesquisa CNT/Sensus que mostra uma virada no jogo eleitoral neste mês teve grande repercussão em Brasília na terça-feira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que retomou a liderança, comemorou com aliados. Já a oposição, que viu a sua vantagem com o pré-candidato do PSDB José Serra sumir, se assustou e acelerou a escolha de um nome. Houve até contestação aos números.

Para dois dos principais líderes do PSDB e PFL, a pesquisa divulgada na terça-feira é inconsistente e precisa ser submetida a uma auditoria. "O que a pesquisa mostra é que o jogo bruto começou", disse o prefeito pefelista do Rio, Cesar Maia. Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), os números são "difíceis de ser engolidos". Ele quer uma verificação de dados.

"Se a auditoria disser que a pesquisa é séria, darei a mão à palmatória", disse ele. Os tucanos reclamaram que os índices de rejeição aos seus pré-candidatos são muito maiores aos números medidos pelos outros institutos. O presidente do instituto que conduziu a pesquisa, Ricardo Guedes, nega a manipulação de dados e disse que o PSDB pode verificar sua metodologia se quiser.

Cobrança - Em função da pesquisa, os tucanos e seus aliados pefelistas passaram a defender cada vez mais uma definição rápida do nome do candidato. O presidente do PSDB, Tasso Jereissati, disse que a escolha precisa ser feita na primeira quinzena de março. Na quinta, em seminário do PSDB, Serra deverá ser cobrado pela cúpula do partido a respeito da decisão sobre o pleito.

Do lado dos defensores de Geraldo Alckmin, a reação foi um pouco menos tensa - isso porque muitos acreditam que os números da pesquisa afastarão Serra da briga e abrirão caminho para o governador. Até entre tucanos simpatizantes de Serra falou-se numa redução das chances dele se candidatar. Segundo o jornal O Globo, a pesquisa até foi apelidada entre eles de "espanta-Serra".

Humildade - No Planalto, a reação foi de festa do presidente e de seus principais auxiliares. Conforme reportagem da Folha de S. Paulo, Lula e seus assessores comemoraram não apenas a volta da popularidade de Lula e o aumento das chances de reeleição, mas também a possibilidade de formar alianças (com PMDB, PL, PTB e PP) e arrecadar recursos para a campanha mais facilmente.

Segundo o ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, a pesquisa foi "boa", mas é preciso ter "humildade". O governo pretende ter cautela na reação aos números porque acredita que o resultado da pesquisa pode levar a oposição a reforçar seus ataques contra o presidente. Uma outra avaliação é de que vai aumentar a pressão sobre o governo também nas sessões das CPIs.

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