26/01/2006 - 07:46
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CPI dos Bingos

Palocci volta a negar ter recebido propina em Ribeirão e os dólares vindos de Cuba

Marcio Oyama

Em depoimento à CPI dos Bingos, nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, negou ter recebido propina mensal de 50.000 reais da empresa Leão Leão durante sua gestão à frente da Prefeitura de Ribeirão Preto. "Quero dizer de forma oficial e categórica que isto não ocorreu."

Segundo o ministro, a empreiteira apenas contribuiu - com doação declarada na Justiça Eleitoral - com a sua campanha. "O meu relacionamento com essa empresa é absolutamente transparente. Eu pedi contribuição dessa empresa durante a minha campanha para prefeito, e essa empresa contribuiu. Isso está registrado nas minhas contas entregues ao TSE. Não haveria sentido nenhum eu ter uma contribuição oficial e em seguida pedir uma contribuição extra-oficial."

Palocci já havia negado a propina - denunciada por seu ex-assessor na administração da cidade paulista Rogério Buratti - durante depoimento em comissão da Câmara dos Deputados para a discussão do Fundeb, em novembro do ano passado. O pagamento do 'mensalão' teria ocorrido entre 2001 e 2002.

De acordo com Buratti, os valores pagos pela Leão Leão iam para o caixa dois do PT. O ex- secretário de Fazenda de Palocci em Ribeirão Preto Ralf Barquete, que morreu em 2004, seria o responsável pela entrega do dinheiro ao então tesoureiro do partido, Delúbio Soares. "O senhor Ralf nem conhecia o Delúbio em 2001", rebateu Palocci. O ministro acrescentou que as irregularidades não poderiam ter ocorrido sem o seu conhecimento. "Este procedimento não ocorreu. Esta informação não é verdadeira."

Perguntado sobre a denúncia de que o governo cubano enviou até 3 milhões de dólares para a campanha presidencial do PT em 2002 - coordenada por Palocci -, transportado de Brasília para São Paulo por Vladimir Poleto (que também seria um ex-assessor de Ribeirão) e Barquete, o ministro negou. "Participei ativamente, integralmente da campanha de Lula, e não houve dinheiro de Cuba, nem de outros países, como foi noticiado."

Palocci também negou conhecer Poleto. "Não conheço o Vladimir Poleto, nunca conversei com ele. De repente, foi transformado em um importante assessor meu." Sobre a suposta viagem do dinheiro de Brasília para São Paulo, o ministro não comentou. "Não posso falar dessa viagem porque não conheço os fatos. Eles não pertencem à minha agenda."

Durante o depoimento, Palocci também negou que seja candidato - "não nessas eleições, o futuro a Deus pertence" - e disse que as denúncias que pesam sobre ele são fruto de batalha política. "São denúncias requentadas, já investigadas. São assuntos locais, que ganham dimensão nacional. Isso não pode acontecer."

O ministro prestou o depoimento na condição de convidado e não de depoente. Ele resolveu falar à comissão depois de meses de negociações e ameaças da oposição, que ensaiou votar um requerimento de convocação.

O ministro chegou à CPI às 10h09, acompanhado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), o senador José Sarney (PMDB-AP), o ministro Jacques Wagner (Relações Institucionais), e por seus secretários no Ministério da Fazenda, entre eles, Murilo Portugal (secretário-executivo) e Jorge Rachid (Receita Federal).

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