23/08/2005 - 08:14
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Governo

Palocci omite contrato de 41,6 mi de reais

Giancarlo Lepiani

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, omitiu na sua entrevista de domingo ter assinado um contrato com a empreiteira Leão Leão enquanto era prefeito de Ribeirão Preto. No pronunciamento, o ministro atribuiu os negócios com a empresa ao antecessor no cargo, mas não falou nada sobre um contrato de 41,6 milhões de reais para a manutenção de aterro sanitário na sua cidade.

Acusado pelo ex-secretário Rogério Buratti de ter recebido propina da Leão Leão, Palocci lembrou de apenas dois contratos com a empresa enquanto se defendia no domingo. O primeiro, de 1999, fora assinado pelo então prefeito Luiz Roberto Jábali. Outro, de 2004, assinado pelo próprio Palocci, seria emergencial, para "coleta de galhos". O acordo "omitido" foi concluído em 2002.

De acordo com reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, a existência do contrato foi divulgada no blog do prefeito do Rio, Cesar Maia, do PFL. Na tarde de segunda-feira, os assessores de Palocci divulgaram nota respondendo à acusação e dizendo que Palocci não mentiu na entrevista, já que o contrato em questão "não foi objeto de questionamentos".

Sem licitação - Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, documentos obtidos pelo Ministério Público em computadores da Leão Leão mostram registros do contrato de 41,6 milhões de reais, obtidos em uma concorrência. Além disso, há outros oito contratos sem licitação, de 5 milhões de reais no total em operação do aterro sanitário, limpeza hospitalar e coleta de lixo.

De acordo com o jornal, os documentos do MP comprovam que a empresa vencia contratos sem concorrência em Ribeirão Preto desde a gestão anterior à de Palocci - mas mostram que isso continuou a ocorrer depois que o petista se tornou prefeito. Buratti, ex-vice-presidente da Leão Leão, acusou Palocci de receber propina em depoimento na sexta-feira ao Ministério Público de SP.

Emergência - Na entrevista de domingo, Palocci disse que só fez contrato emergencial "de coleta de galho" no valor de 140.000 reais. "Esse é sem licitação, que em emergências não se faz licitação", disse. "E houve outro contrato, esse sim feito com um outro governo. Não estou criticando o contrato feito pelo outro governo, só estou dizendo que não fui eu que fiz", completou.

Na nota divulgada nesta segunda, a assessoria de Palocci disse que "o contrato sobre coleta de lixo que está sendo objeto de discussão na Promotoria foi assinado na administração anterior e mantido pela sua gestão". O MP informa, contudo, que não há investigação específica sobre um dos contratos, mas sim sobre todo o suposto esquema de corrupção nos contratos da Leão Leão.

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