09/11/2005 - 06:36
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Brasil

Palocci negocia para evitar depor em CPI

Katia Perin

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, negociou nesta segunda-feira com o PFL e o PSDB seu comparecimento à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na primeira terça-feira depois do feriado do dia 15. O ministro tenta evitar o depoimento às CPIs, o que de acordo com a avaliação do governo poderia gerar um desgaste muito grande e ameaçar sua permanência no cargo. Na conversa que teve, por telefone, com senadores da oposição, Palocci propôs ir à CAE para falar sobre a conjuntura econômica - e responder, também, a todas as denúncias sobre supostas irregularidades na prefeitura de Ribeirão Preto durante seu segundo mandato.

Ao saber da intenção do relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), de votar o requerimento de sua convocação, Palocci preferiu se antecipar aos fatos. Ele procurou primeiro o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Depois conversou com o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), que participava de um almoço com ACM e senadores do PSDB. Imediatamente, os dois pefelistas levaram a idéia aos tucanos, que concordaram.

Caso a oposição insista em convocá-lo, Palocci avalia que talvez não seja suficiente falar numa comissão temática do Congresso. Nesse caso, seria melhor partir logo para um depoimento numa CPI. Na opinião do ministro, uma eventual turbulência econômica por sua ida a uma CPI seria debitada na conta da oposição. O PSDB e o PFL têm poupado o ministro desde o início da crise, temendo uma contaminação da economia. Eles avaliam, no entanto, que Palocci está sendo arrastado naturalmente para o centro das investigações e seria positivo se ele comparecesse espontaneamente ao Congresso.

Ribeirão Preto - Após as denúncias de caixa dois na Prefeitura de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, durante a gestão de Palocci, o ministro voltou a ser foco das investigações depois que VEJA revelou suposto envio de 1,4 milhão de dólares a 3 milhões de dólares de Cuba para a campanha de Lula. Todos os citados na operação são ex-assessores de Palocci. A CPI do Bingos também ouviu uma testemunha ligada ao PT que apontou o empresário Roberto Carlos Kurzweil como o responsável pela captação de parte dos recursos da campanha de Lula, em nome de Palocci. Ele teria conseguido 1 milhão de reais de dois empresários angolanos, donos de bingos em São Paulo.

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