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Entrevista
Palocci nega as acusações e continua no ministério
Palocci negou com veemência todas as acusações feitas por Buratti em depoimento ao Ministério Público de São Paulo na sexta-feira. O ex-assessor afirmou que Palocci, quando ainda era prefeito de Ribeirão Preto, recebia 50.000 por mês de empresa de lixo em troca de favorecimento em licitação. A edição de VEJA desta semana teve acesso a documentos, e-mails e grampos telefônicos, colhidos pela Justiça em quase dois anos de investigação, que contêm indícios graves do envolvimento de Palocci, já ministro, com Buratti e sua turma. 'Não posso permitir acusações desse tipo. Esse tipo de acusação merece uma resposta cabal', afirmou.
Recursos de campanha - Palocci negou o recebimento de 50.000 mensais para repassar ao PT. Reconheceu, porém, ter recebido contribuições de empresas para sua campanha para a Prefeitura de Ribeirão Preto e disse que todos os recursos recebidos foram devidamente registrados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TER). 'Eu recebi contribuições dessas empresas durante a campanha. Recebi e registrei. Todas as contribuições estão registradas pelo Tribunal Regional Eleitoral.'
Em relação ao contato com Buratti já no ministério da Fazenda, Palocci diz que os encontros citados por VEJA não ocorreram. Os procedimentos da agenda do Ministério da Fazenda são legais e restritos às suas próprias normas, disse Palocci. O ministro afirmou ainda que as acusações feitas por seu ex-assessor não vão atrapalhar o trabalho do Ministério. 'Esses episódios certamente nos chateiam, mas não vão atrapalhar a equipe a fazer o seu trabalho', garantiu. E defendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao dizer que acredita nas promessas feitas por ele quando ainda não tinha assumido a presidência. 'Eu confio no compromisso que o presidente fez, antes mesmo de sua posse, em fazer com que a economia cresça.'
A entrevista de Palocci e o apoio de Lula fazem parte da estratégia do governo para proteger a economia. Na última sexta-feira, quando Buratti acusou o ministro, o dólar chegou a subir mais de 4% durante o pregão e fechou em alta de 2,94%, a maior em quase 15 meses. Na última sexta-feira, logo após promotores tornarem públicas as denúncias de Buratti, o ministro divulgou nota rebatendo as acusações. Ele negou "veementemente" que tenha recebido propina das empresas de coleta de lixo de Ribeirão Preto. Além disso, o ministro criticou o Ministério Público por divulgar as declarações. Os promotores que investigam possíveis irregularidades na prefeitura durante a gestão Palocci responderam que o processo não corre em segredo de Justiça e que o depoimento é de interesse público.
O promotor Aroldo Costa Filho afirmou ontem, entretanto, que vai encaminhar denúncias e provas que envolvem diretamente Palocci para a Procuradoria Geral da União e para o STF (Supremo Tribunal Federal). Por ser ministro, ele só pode ser processado pelo STF, instância máxima do Judiciário brasileiro.
Buratti- O advogado e ex-assessor de Palocci foi preso na última quarta-feira, acusado de crime de lavagem de dinheiro e tentativa de destruição de documento, mas, na sexta-feira, depois de aceitar acordo de delação premiada, prestou depoimento e foi liberado. Assessor parlamentar de José Dirceu e de João Paulo Cunha nos anos 80, Buratti tornou-se secretário de Governo na primeira gestão de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto (1993-1996). Em 1994, foi demitido após ser flagrado por uma escuta pedindo propina a um empresário. Buratti, então, passou a trabalhar como consultor e, depois, como presidente do grupo Leão&Leão, a principal empresa envolvida na quadrilha do lixo.
Ele saiu da firma em 2004, mas continuou prestando a ela (e à quadrilha) relevantes serviços. Em seu depoimento, Buratti detalhou a rede de favorecimento a prefeitos de cidades do interior comandada pela Leão& Leão. "Quando a empresa se sagrava vencedora, combinava-se com o prefeito, anteriormente, uma forma de contribuição financeira, que poderia significar entre 5% e 15% do valor do contrato firmado", disse Buratti. Cabia aos prefeitos conseguir junto a determinadas empresas o fornecimento de notas fiscais frias para que a Leão&Leão lançasse na sua contabilidade o pagamento da propina. Palocci é apenas um dos prefeitos apontados por Buratti como participantes do esquema. Haveria pelo menos outros sete.


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