22/11/2005 - 06:54
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Brasil

Palocci faz a defesa da política econômica

Katia Perin

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, deve falar nesta terça-feira, pela manhã na Comissão de Finanças e Tributação e à tarde na comissão especial do Fundo Nacional do Ensino Básico (Fundeb), ambas as audiências marcadas para a Câmara. E a oposição já tomou uma postura para questionar o ministro. PSDB e PFL querem abordar de forma dura as acusações de corrupção no governo, mas dizem que deixarão de fora tudo o que se refere ao seu período como prefeito de Ribeirão Preto (SP).

 O objetivo é não esvaziar a CPI dos Bingos, que pretende aprovar também neta terça a convocação de Palocci para depor sobre denúncias de corrupção na prefeitura de Riberião. "Palocci vai ter de responder sobre corrupção no governo Lula, dinheiro de Cuba, tráfico de influência no seu ministério, empréstimos para o PT, Delúbio Soares", disse o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ).

Na Comissão de Finanças, Palocci certamente será inquirido duramente pela oposição a respeito das acusações. Para a tarde, está previsto um depoimento mais técnico, à comissão especial que analisa a proposta de emenda constitucional que cria o Fundeb, quando ele também poderá ouvir perguntas constrangedoras.

O governo vê como inevitável que se trate do tema corrupção, mas prepara-se para tentar proteger Palocci. "Os ministros do governo Lula nunca se furtaram a responder nada, mas é importante que as comissões não percam seu foco principal", disse o deputado e presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP).
O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que está tranqüilo, porque o ministro é "muito preparado". "Mas estamos prontos para o embate político com a oposição."

CPI - O requerimento que aprova o depoimento de Palocci na CPI deve ser votado nos próximos dias. Mas o ministro pediu um tempo aos senadores de, pelo menos uma semana, para definir sua convocação. Ele aceita negociar um convite para comparecer à comissão, mas não quer ir agora e sim em uma data a ser combinada, pois considera que, primeiro, é preciso encontrar uma solução para a disputa interna no governo em torno do reforço fiscal

O ministro deixou claro que está chateado com o clima interno no governo. Antes da reunião da CPI dos Bingos, marcada para esta terça, a oposição, também dividida, tentará resolver seu próprio dilema: se aceita a proposta de transformar a convocação em convite ou contribui para fragilizar a posição de Palocci, provocando reações no mercado financeiro. "Quem está salvando o ministro hoje somos nós da oposição", disse o senador Antonio Carlos Magalhães, tentando irritar o presidente Lula. O pefelista acha que Lula quer derrubar o ministro e abrir os cofres públicos para as eleições de 2006.

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