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Eleições 2006
Oposição define seu candidato à sucessão: governador Geraldo Alckmin enfrenta Lula
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, será o candidato do PSDB à Presidência da República. Depois de um longo impasse, a cúpula do partido anunciou a escolha nesta terça-feira, em cerimônia na sede do diretório estadual, na capital paulista. O prefeito de São Paulo, José Serra, desistiu de disputar as eleições presidenciais de outubro em nome da unidade partidária - ele não queria disputar prévias contra Alckmin. Paulista, formado em Medicina, 53 anos, o governador disputará sua primeira eleição nacional.
A escolha de Alckmin foi consolidada apenas na noite de segunda, depois que Serra - que admitiu a candidatura abertamente pela primeira vez - rejeitou a realização de votação interna no partido. "Não há condição de se fazer uma prévia no PSDB. Porque uma prévia vai acabar dividindo o partido e criando problemas, rivalidade, favorecendo o adversário. Ao longo desses meses, tenho evitado falar sobre candidatura, mas tenho aparecido na liderança das pesquisas, um reconhecimento da população brasileira", disse o prefeito. "Já disponibilizei ao meu partido a minha candidatura à Presidência, sem prévias, sem disputas. Isso porque a disputa poderia provocar riscos ao partido, uma divisão que somente favoreceria os adversários."
A indicação de Alckmin para candidato passou por uma longa negociação envolvendo Serra, Alckmin, o chamado triunvirato tucano - formado pelo presidente nacional do partido, Tasso Jereissati (CE), pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e pelo governador Aécio Neves (MG) -, e os governadores do partido. FHC, Aécio e Serra estiveram reunidos até a madrugada desta terça-feira para conversar sobre a candidatura. O impasse em torno da escolha tucana já durava meses - Alckmin sempre assumiu a candidatura, mas Serra, que hesitava em abandonar a prefeitura depois de pouco mais de um ano de mandato, não revelava suas pretensões. Apesar de ser o tucano mais bem colocado nas pesquisas, o prefeito temia perder votos em função da renúncia em São Paulo.
Trajetória - Nascido em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, em 7 de novembro de 1952, Geraldo Alckmin entrou na política com apenas 19 anos, em 1972 - foi o vereador mais votado de sua cidade. Quatro anos depois, foi eleito prefeito do mesmo município. Ocupou o cargo por seis anos. Alckmin foi eleito deputado estadual em 1982 e, quatro anos depois, deputado federal pelo PMDB - na Constituinte, foi vice-líder da bancada do partido. Em seguida, tornou-se um dos fundadores do PSDB, ao lado de Mário Covas - um político que ajudou a definir sua trajetória futura.
Reeleito deputado federal em 1990 (o quarto mais votado em seu partido), Geraldo Alckmin deixou a Câmara em 1994, quando foi eleito vice-governador na chapa de Covas. Apesar de ter sido derrotado na disputa pela prefeitura de São Paulo, em 2000, Alckmin ganhou projeção nacional ao assumir o governo estadual no lugar de Covas, afastado por doença no início de 2001. No ano seguinte, já depois da morte de Covas, Geraldo Alckmin mostrou fôlego nas urnas ao manter o cargo de governador herdado do veterano político - foi reeleito com mais de 12 milhões de votos, quase 60% do total de votos válidos.
Na reta final do mandato como governador, Geraldo Alckmin passou a reivindicar a indicação como candidato à presidência em função dos ótimos índices de aprovação popular (superava todos os governadores dos principais estados do país) e do perfil de bom administrador e político respeitado - que, conforme ele, serviria de contraponto ideal para a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo primeiro mandato é marcado pelo escândalo do "mensalão". Além da gestão em São Paulo, Alckmin deve usar seu currículo de parlamentar na campanha presidencial: foi autor do projeto do Código de Defesa do Consumidor e relator de projetos ligados à Previdência, assistência social e doação de órgãos.


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