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CPI dos Bingos
Okamotto nega acusações de Venceslau
O presidente do Sebrae e amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Paulo Okamotto, negou nesta terça-feira em acareação na CPI dos Bingos que era responsável pelas finanças de Lula quando ele era presidente de honra do PT. Respondendo a acusações do ex-secretário de Finanças da Prefeitura de São José dos Campos, Paulo de Tarso Venceslau, expulso do PT, de existência de caixa 2 em campanhas, Okamotto disse que "nunca cuidei das finanças pessoais de ninguém, só das minhas".
Okamotto é acusado de pagar empréstimo de 29.400 reais do presidente Lula com o PT e uma dívida de 26.000 reais da filha do presidente, Lurian Cordeiro Lula da Silva. Ele pretendia não responder perguntas sobre esse assunto, mas foi questionado várias vezes até negar que cuidasse das finanças de Lula. Apesar disso, se negou a abrir seus sigilos bancário e fiscal, protegido por liminar do Supremo Tribunal Federal.
Ele alegou que somente aceitaria a abertura dos sigilos se existir alguma acusação grave. "Nós temos direitos individuais que a Constituição garante. Se tiver alguma acusação grave contra mim, estou disposto sim a abrir meus sigilos. Eu nego que seja pagador dessas contas."
Venceslau também acusou Okamotto de tentar impedir auditoria na prefeitura de São José dos Campos, para apurar o relacionamento com a empresa Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM), ligada ao empresário Roberto Teixeira. Mais uma vez, o presidente do Sebrae negou envolvimento.
De acordo com Venceslau, a Cepem ameaçou não contribuir para a Segunda Caravana da Cidadania e então Okamotto teria sugerido que a auditoria fosse suspensa. Okamotto reagiu em tom de vol alto: "É mentira! Nunca pedi isso!"
Informal -
Segundo Venceslau, Okamotto era tesoureiro informal do PT e pediu lista de fornecedores das prefeituras do partido para captar recursos, além de ser responsável por demiti-lo da prefeitura de São José dos Campos.Okamotto negou as acusações e as classificou como mentirosas. "Vamos tentar separar as verdades, as invenções e as mentiras. Eu não tinha motivo para pedir a sua demissão senhor Paulo de Tarso. Eu nunca pedi lista de fornecedores para ninguém", disse Okamotto.
Venceslau leu relatório interno elaborado pelo PT no período em que a atual deputada federal Ângela Guadagnin (SP) era a prefeita de São José dos Campos, confirmando a existência de uma arrecadação paralela encabeçada por Okamotto. Mas ele alegou que a prefeita "confundiu" arrecadação de recursos com o que chamou de necessidade de criar "uma agenda de apoiadores" para o PT, com o intuito de ampliar a influência do partido, principalmente na classe média.
Paulo Venceslau acusou também a empresa Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM) de ter-se "infiltrado" em prefeituras petistas. Segundo ele, "quem vendia" a empresa às administrações petistas era Roberto Teixeira, compadre e amigo de Lula e dono da CPEM. Venceslau disse também que em janeiro de 1993 chegou a relatar a Okamotto, na presença do próprio Lula, os prejuízos que a CPEM causava às prefeituras petistas, no total 10 milhões de dólares até aquela data. O ex-integrante do PT negou, no entanto, que Lula tivesse qualquer ligação com a CPEM.


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