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MP mantém investigações. Oposição tenta responsabilizar Lula em segunda denúncia
Apesar do grande número de acusados - 40 políticos e empresários - e do grande detalhamento de informações a respeito do caso mensalão, a denúncia entregue à Justiça nesta semana pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, não concluiu a apuração do escândalo pelo Ministério Público Federal. De acordo com ele, haverá uma nova etapa de investigação e denúncia.
Para a oposição, a apuração não pode deixar de estudar o real papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no escândalo. Na denúncia já entregue, ele foi poupado pelo procurador-geral. Através de seus assessores, Souza negou que Lula seja o alvo da nova fase de investigações. Membros de sua equipe, contudo, já estariam estudando possíveis falhas na atuação do presidente.
Os adversários de Lula acreditam ser obrigatória a citação de seu nome na próxima denúncia. "O responsável pela formação da quadrilha no regime presidencialista é o presidente da República", atacou o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, na tribuna, na quarta-feira. "É isso que está dito de forma politicamente explícita", completou, sobre a denúncia do procurador.
Jeffeson Péres (PDT-AM) e Pedro Simon (PMDB-RS) também bateram duro em Lula. "No tempo do Collor não se identificou o comando da operação dentro do Planalto. Agora isso ocorre", disse o primeiro. "Não tenho dúvida: é o grande responsável. Aconteceu em volta dele. E ele não sabia de nada? Seria uma pessoa que não estaria em condições de presidir um país", disparou o segundo.
Banco - Ainda sem prazo de conclusão, a nova fase de apuração deverá incluir a direção do banco BMG, envolvido no esquema do "valerioduto". O outro banco envolvido, o Rural, já foi citado na primeira denúncia, com pedido de indiciamento de dirigentes - o mesmo deve ocorrer com o BMG. Na própria denúncia inicial Souza já avisa que a atuação do banco será "aprofundada" agora.
O texto entregue à Justiça afirma que esse banco obteve "ganhos indevidos do governo federal" e, em troca, "injetou recursos milionários" no esquema, "mediante empréstimos simulados". Faltariam, contudo, provas mais consistentes para citar o BMG por enquanto. É provável que, caso os indícios necessários sejam obtidos, dirigentes sejam indiciados por formação de quadrilha.
Ainda a respeito do BMG, Souza acredita que o ex-ministro José Dirceu tenha sido o "principal articulador da engrenagem" que envolvia as operações ilegais. A segunda etapa de apurações também pode marcar o indiciamento de seis deputados envolvidos no esquema do mensalão poupados na primeira denúncia, como Josias Gomes (PT-BA), Sandro Mabel (PL-GO) e Roberto Brant (PFL-MG).


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