12/04/2006 - 08:06
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Brasil

MP diz que PT tem 'organização criminosa sofisticada' com objetivo de manter poder

Giancarlo Lepiani

A denúncia enviada à Justiça pelo procurador-geral da República sobre o escândalo do mensalão teve uma enorme repercussão em Brasília na terça-feira. O texto foi considerado muito mais contundente do que o relatório final da CPI dos Correios: aponta, por exemplo, que o PT montou uma "sofisticada organização criminosa" de forma a "garantir a permanência do partido no poder".

Com 40 pessoas denunciadas e 136 páginas de argumentação, a denúncia foi enviada ao Supremo Tribunal Federal, apontando José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e antigo homem forte do governo Lula, como "chefe do organograma delituoso" e José Genoino, Delúbio Soares e Silvio Pereira, ex-dirigentes petistas, como "núcleo principal da quadrilha". Todos já negaram as acusações.

O texto também acusa outras figuras de enorme destaque no governo Lula e no PT, como o ex-ministro Luiz Gushiken, o deputado João Paulo Cunha e o marqueteiro Duda Mendonça, além de 13 deputados considerados beneficiários do esquema. Cinco deles foram absolvidos no plenário, mas podem ser punidos em função da denúncia do Ministério Público. Seis deputados não foram citados.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho, Fábio, não estão no texto entregue pelo procurador-geral Antonio Fernando Souza. A situação dele, contudo, pode piorar bastante politicamente - afinal, a denúncia conclui que houve mensalão, que esse esquema foi montado e sustentado no PT e que o objetivo da organização era comprar apoios e beneficiar aliados indevidamente.

No poder - Para o procurador-geral, "toda a estrutura montada por José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino e Silvio Pereira tinha entre seus objetivos angariar ilicitamente o apoio de outros partidos", no que ficou conhecido como mensalão. "Pagaram vultodas quantias a diversos parlamentares, principalmente dos líderes, para receber o apoio do PP, PL, PTB e parte do PMDB."

O texto afirma que o esquema tinha diferentes núcleos, sendo que o principal era político, em que Dirceu e seus companheiros de partido tentavam "garantir a permanência no poder com a compra de suporte político e financiamento irregular de campanhas" eleitorais. Os outros núcleos, com Marcos Valério e o Banco Rural no centro, tentavam obter "vantagens indevidas" do governo.

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