05/06/2006 - 09:33
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Brasil

Mensaleiros que perderam mandato ainda mantêm ex-assessores e poder na Câmara

Katia Perin

A maioria dos sete deputados federais que perderam o mandato em conseqüência das denúncias do mensalão (três foram cassados, e quatro renunciaram antes da abertura do processo) continua, de alguma forma, ligada e exercendo o poder no Congresso ou na vida pública. De acordo com reportagem publicada no jornal Folha de São Paulo desta segunda-feira, 45 ex-assessores dos supostos mensaleiros foram alocados na Câmara, sem concurso público, em gabinetes de correligionários, de suplentes ou em órgãos da Câmara sob influência dos partidos.

José Borba, o ex-líder do PMDB que renunciou há sete meses ao mandato de deputado federal (PR) por suspeita de envolvimento com o mensalão, continua a despachar semanalmente na Liderança do partido na Câmara. Dois de seus três filhos e outros seis ex-assessores de seu gabinete mantiveram o emprego no Legislativo com salários de até 7.500 reais. "Estou acompanhando alguns projetos, tenho saldo das emendas remanescentes. Vou aos ministérios aonde estão os projetos, já que tenho tido algumas liberações", explica-se Borba. Ele também está em campanha para se reeleger.

Dos 19 deputados suspeitos de envolvimento com o mensalão, 11 foram absolvidos pela Câmara; só falta julgar José Janene (sem partido-PR). O que mais "segurou" ex-assessores foi Carlos Rodrigues (sem partido-RJ), que renunciou para escapar da cassação. Sete ex-funcionários seus continuaram trabalhando para Reinaldo Gripp (PL-RJ), que assumiu a vaga. Todos, porém, já foram exonerados.

Valdemar Costa Neto (SP), ex-presidente do PL, que renunciou, abrigou quatro assessores na Liderança do PL. Três outros foram alocados em comissões da Casa.
Roberto Jefferson, autor da denúncia sobre o mensalão, teve oito ex-assessores "reaproveitados": quatro no gabinete de Fernando Gonçalves (PTB-RJ), que assumiu sua vaga, dois na Liderança do PTB e dois na 2ª secretaria da Câmara, controlada por seu aliado Nilton Capixaba (PTB-RO). E Pedro Corrêa (PE), que continua na presidência do PP mesmo após ter sido cassado, conseguiu manter o emprego de seis ex-assessores.

Os dois petistas que perderam o mandato tiveram sete assessores aproveitados. Os gabinetes de Socorro Gomes (PC do B-PA), Maninha (PSOL-DF), Sandro Mabel (PL-GO) e Professor Luizinho (P-SP) abrigaram ex-funcionários de Paulo Rocha (PT-PA). Mariângela Duarte (PT-SP) e Carlos Abicalil (PT-MT) têm ex-funcionários de José Dirceu (PT-SP).

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