Arquivo
PF
Mattoso, presidente da CEF, denuncia Palocci e se demite
A quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa chegou até o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, segundo o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso. De acordo com a Polícia Federal, a revelação - que teria provocado o pedido de afastamento de Palocci no fim da tarde - surgiu durante seu depoimento na tarde desta segunda-feira, na sede da PF.
Petista, indicado à presidência do banco estatal pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jorge Mattoso disse ter entregue o extrato bancário do caseiro "pessoalmente" a Palocci. O ministro tivera sua situação agravada justamente em função da fala do caseiro, que disse ter visto Palocci várias vezes na chamada "casa do lobby", alugada por antigos auxiliares do ministro.
Em função de sua confissão, Jorge Mattoso foi indiciado pela PF por violação de sigilo funcional - crime com pena de 6 meses a dois anos de prisão. O presidente da Caixa também encaminhou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda nesta segunda-feira, carta colocando seu cargo à disposição.
De acordo com o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, que preside o inquérito, o depoimento de Mattoso foi "corajoso, mas de alguém que estava arrasado". O presidente da CEF deu o extrato a Palocci na casa do ministro, num envelope.
Extrato - Antes mesmo do depoimento de Mattoso, a situação do presidente da Caixa já era crítica. O consultor da presidência do banco Ricardo Schumann disse, também em depoimento à PF, que o próprio Mattoso pediu a quebra. O consultor fala que mandou a gerente de Integração de Políticas de Gestão do banco, Sueli da Silva Mascarenhas, checar a movimentação bancária de Nildo.
Sueli, então, pediu uma cópia do extrato bancário do caseiro ao funcionário Jeter Ribeiro de Souza, que acessou a conta do correntista e imprimiu o documento, entregando-o para Sueli. Esta repassou o extrato a Ricardo, que o entregou a Mattoso. Jeter e Sueli depuseram à PF no domingo e disseram que só cumpriram ordens, sem saber que estavam praticando um ato ilegal.
Veja a íntegra da nota de Mattoso enviada a Lula:
"Na condição de Presidente da CAIXA, no pleno e legítimo exercício de minhas funções, tive acesso a informações sobre movimentação atípica em conta de cliente.
Cumprindo meus deveres funcionais e sem que isso de forma alguma representasse quebra indevida de sigilo, determinei, a propósito, a adoção das providências previstas na Lei n.º 9613/98, cujas disposições aplicam-se indistintamente a todas as instituições financeiras.
Assim agindo, na forma da lei acima mencionada, procurei fazer com que a informação chegasse regularmente ao COAF, órgão integrante da estrutura do Ministério da Fazenda e que detém competência legal para conhecer e analisar assuntos dessa natureza. Comuniquei, também, o fato à autoridade superior à qual a CAIXA encontra-se vinculada.
Não fui o responsável pelo vazamento da informação e estou convicto de que nenhum empregado da CAIXA deu causa à divulgação indevida, atuando nos estritos limites da legalidade.
Entretanto, diante das repercussões desse episódio, visando resguardar imagem institucional da CAIXA, entendi por bem colocar meu cargo à disposição do Excelentíssimo Senhor Presidente da República, na certeza de que, ao final, tudo será devidamente esclarecido."


Comentários