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Brasil
Para Mantega, taxa de juros precisa ser mais 'civilizada'
O economista petista Guido Mantega, novo ministro da Fazenda, reafirmou na manhã desta terça-feira seu compromisso em manter a atual política econômica brasileira. Em entrevista ao jornal Bom Dia Brasil, da TV Globo, Guido voltou a dizer o que já havia afirmado em entrevista coletiva na noite desta segunda- que a política econômica do Brasil não mudará porque esta é a política do presidente Lula -, mas foi além e avaliou que a taxa de juros poderia ser mais baixa. "O Brasil tem de ter taxas de juros civilizadas, que permitam estimular a produção e o consumo. A inflação estando sob controle não ha nada que impeça a queda das taxas de juros", disse. "Acho que há uma unanimidade no país de que os juros poderiam ser mais baixos. Evidentemente nós não podemos afrouxar o combate da inflação, porque isso é sagrado... Então, preservado o combate à inflação, que é fundamental, nós temos que praticar juros menores no Brasil."
Apesar de reconhecer que o real está valorizado, o novo ministro afirmou também que o câmbio flutuante é o melhor regime possível. "Eu acho que está valorizado, está prejudicando alguns setores. Se o real estivesse menos valorizado, o Brasil estaria dominando ainda mais o comércio internacional, só que não podemos criar artificialismo, não podemos burlar os principios do câmbio flutuante", disse.
Mantega ainda falou sobre a equipe econômica. Elogiou a qualidade dos técnicos e afirmou que o novo secretário-executivo do BC, que irá substituir Murilo Portugal, será escolhido em 24 horas, e ressaltou que haverá um novo secretário do Tesouro, uma vez que Joaquim Levy já havia indicado a intenção de ir para Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). "Os demais membros da equipe, eu telefonei ontem para o Ministério da Fazenda e pedi para que todos permanecessem em seus postos porque eu quero conversar com eles."
Mantega, atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), recebeu o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a pasta logo depois do anúncio do afastamento de Antonio Palocci. Assessor econômico de Lula na campanha de 2002, Mantega teria aceito o convite, com o compromisso de manter a atual política econômica. Lula teria determinado a ele que sua função seria manter o rigor fiscal e monetário do antecessor e afastar eventuais temores do mercado financeiro de alterações desse rumo.
Antes de presidir o BNDES, o novo ministro da Fazenda foi titular da pasta do Planejamento, Orçamento e Gestão - a troca para o banco ocorreu em novembro de 2004, quando o antigo presidente da institutição, Carlos Lessa, renunciou ao cargo.
Nascido na Itália, Guido Mantega assessora Lula no campo econômico desde 1993, e participou da coordenação de seu programa de governo em 2002. É integrante da coordenação econômica petista desde 1989. Antes de participar do governo Lula, trabalhou na prefeitura paulistana, com Luíza Erundina. Foi crítico do Real, ao lado do senador Aloizio Mercadante, outro cotado ao cargo.
Até a noite desta segunda, economistas falaram com cautela sobre o futuro da economia do país. Para alguns, há incerteza porque o novo ministro é conhecido pelas críticas às políticas monetária e fiscal desenvolvidas por Palocci. Já para Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), não devem ocorrer mudanças. "A economia, como já vem acontecendo, não deverá ser abalada. Devemos estar acima de nomes, preocupados em buscar as soluções mais adequadas para os problemas do país."


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