06/03/2006 - 08:36
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Governo

Lula viaja a Londres e verá rainha

Katia Perin

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou na manhã desta segunda-feira para Londres. Ele será recebido pela rainha Elizabeth II, no Palácio de Buckingham, nesta terça. Lula é terceiro presidente brasileiro a ser recebido com honras de chefe de Estado na Inglaterra. A visita oficial da comitiva brasileira à Inglaterra deve durar três dias e tem o objetivo de ampliar o comércio entre os dois países, hoje avaliado em torno de 4 bilhões de dólares. O governo brasileiro considera o valor pequeno, pois o Reino Unido é o terceiro maior importador do mundo.

A agenda de compromissos de Lula incluiu encontros com a "oposição" ao governo Tony Blair. O presidente estará com o líder do Partido Conservador, David Cameron, assim como o polêmico prefeito de Londres, Ken Livensgtone. Também está marcado encontro com o ministro das Finanças inglês, Gordon Brown. Cameron e Brown são cotados para suceder Blair.

Durante as conversas, Lula deverá insistir na proposta de uma reunião de líderes mundiais para destravar a Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio, que trata de subsídios agrícolas. E deve ainda reiterar a defesa da reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto a tiros pela polícia inglesa, também deve ser um dos temas discutidos com as autoridades locais. A imprensa inglesa já noticiou que muitos devem desculpar-se pelo ocorrido junto ao presidente brasileiro.

Na imprensa - A visita de Lula ao Reino Unido é destaque nos jornais britânicos. Eles ressaltam que a Europa precisa prestar mais atenção no Brasil, que é uma das potências emergentes que dominarão a economia mundial nas próximas décadas. Além disso, afirmam que Lula soube contornar o escândalo de corrupção que se abateu sobre seu governo no ano passado. Elogiam também, de forma geral, o gerenciamento da economia brasileira.

Num editorial intitulado "Gigante Emergente", o jornal The Times afirma que a Grã-Bretanha deveria estar mais interessada no Brasil. "Ao longo dos próximos 25 anos o Brasil, como outros incluindo a Indonésia e o México, vão se tornar mais do que um poder emergente", afirmam. "Isso já está claro pelo papel crucial que o senhor da Silva vai ter nas negociações mundiais do comércio. Essa é uma nação que, se explorar seus ativos substanciais com inteligência, será muito mais do que uma superpotência do futebol."

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