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Brasil
Lula recebe advertências em posse no STF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve de ouvir críticas e advertências durante a sua visita ao Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira, para a posse da nova presidente da corte, Ellen Gracie Northfleet. Lula não discursou, e enfrentou em silêncio as duras declarações do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e do chefe da OAB, Roberto Busato.
O presidente da ordem dos advogados lamentou as circunstâncias que cercam o governo, dizendo que "nossa República padece da pior das crises: a crise de credibilidade". Conforme Busato, "o comportamento indecoroso de alguns agentes públicos expôs ao desgaste as instituições do Estado, aprofundando o descrédito que já as fragilizava". Ele também criticou a pizza na Câmara.
"A absolvição no plenário de parlamentares condenados por corrupção pelo Conselho de Ética da própria Câmara soa à população brasileira como desprezo, escárnio à Justiça. A pergunta que ecoa da voz das ruas é uma só: perdemos a compostura?", afirmou ele. Apesar de não ser uma crítica direta ao governo, a frase atinge o PT e a base aliada - que viabilizaram as absolvições.
Alerta - No discurso do procurador-geral, Lula foi advertido de que nenhuma autoridade está livre de ser investigada - e, se culpada, punida - pelos seus atos. "Não há autoridade dotada de poderes ilimitados nem imune à devida fiscalização, controle e responsabilização", alertou Souza, autor de um contundente relatório entregue à Justiça a respeito do esquema do mensalão.
A mensagem pode ser encarada como sinal de que Lula ainda pode constar do documento - que, em sua versão parcial, denuncia 40 pessoas e afirma que o governo sediou uma "sofisticada organização criminosa". Souza deverá pedir ao STF o aprofundamento das investigações na semana que vem. Uma das medidas estudadas é a apuração de possível conhecimento do presidente nos esquemas.


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