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Brasil
Lula nega uso eleitoral de obras e não fala sobre reeleição, mas tem dia de candidato
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sustentou uma posição curiosa na segunda-feira. Por um lado, negou o uso eleitoral das obras nas estradas federais, evitou admitir concorrer à reeleição e repetiu que não tem pressa em oficializar a sua eventual candidatura. Por outro lado, teve agenda de candidato, com discursos no rádio e TV, ataque à oposição e palanque com aliados.
Até na hora de desmentir que é candidato o presidente adotou tom de campanha, provocando os adversários José Serra e Geraldo Alckmin, rivais tucanos na disputa do segundo semestre. "Candidatura tem hora de definir. Se alguém tem pressa de definir com antecedência, que defina. Eu não tenho essa preocupação agora. Isso não me faz perder um segundo de sono", disse ele, rindo.
Depois da divulgação de seu discurso semanal no rádio, em que defendeu as realizações do governo federal, Lula visitou trecho de reforma da rodovia BR-101 Nordeste acompanhado de políticos aliados que já definiram suas candidaturas para este ano. Para o presidente, a presença dos candidatos no seu próprio palanque é natural - ainda que ele não tenha oficializado candidatura.
"Governador é para estar aqui mesmo, prefeito é para estar aqui mesmo, candidato é para estar aqui mesmo", discursou ele, em Pernambuco, ao lado de quatro pré-candidatos ao governo daquele estado (Humberto Costa, Eduardo Campos, Armando Monteiro Neto e Inocêncio Oliveira). Lula disse ainda que continuará viajando "muito" nos próximos meses, e sem temer críticas da oposição.
Palanque - Antes de conceder uma entrevista, Lula fez um rápido discurso de improviso, que não havia sido previsto pela sua própria equipe. "Até pedi para não montar palanque para dizer que não é campanha, porque lamentavelmente é assim: se você não faz, vira campanha do rival, e se você faz, diz que é campanha sua. Entre não fazer e fazer, prefiro ser criticado fazendo."
Ele retomou o mesmo discurso em outra parada da visita às obras: "Se eu não estivesse fazendo as obras, eles iriam aproveitar por conta da eleição. Se estou fazendo, dizem que sou eleitoreiro", disse, reclamando dos adversários. À noite, Lula realizou pronunciamento de dez minutos em rede nacional de rádio e TV. Assim como nas falas da tarde, o tom foi de campanha eleitoral.
Antecipando o provável tom de sua campanha à reeleição, Lula destacou as conquistas na área econômica, afirmou que a pobreza diminuiu no seu mandato e fez comparações com o governo Fernando Henrique Cardoso. No pronunciamento, contudo, não houve uma menção sequer à crise política e às denúncias de corrupção envolvendo figuras do governo federal e da base aliada na Câmara.


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