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Governo
Lula: muitas viagens e poucos resultados
Katia Perin
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dedicou 50 dos 365 dias de 2005 a viagens internacionais. De acordo com reportagem publicada neste domingo, no jornal O Estado de S.Paulo, ele percorreu 206.883 quilômetros - distância equivalente a 5,16 voltas ao planeta pela linha do Equador - enquanto executava sua política externa. Visitou 25 países e presidiu duas polêmicas reuniões de cúpula em Brasília. Os resultados práticos, porém, foram poucos.
Até agosto, o governo empenhou-se no processo de reforma do Conselho de Segurança e na tentativa de obter uma cadeira permanente para o Brasil. A reivindicação foi manifestada em viagens como a que fez para a Guiana e o Suriname, depois para cinco países da África, para a Coréia do Sul e o Japão, para a França e durante a reunião com os países centro-americanos, na Guatemala. Voltou a falar do assunto na Cúpula da América do Sul e dos Países Árabes, em Brasília, e nas visitas de chefes de Estado. De nada adiantou. O projeto de reforma do Conselho de Segurança proposto por Brasil, Japão, Alemanha e Índia naufragou, e os resultados comerciais de tantas visitas e encontros de cúpula continuam invisíveis.
O presidente investiu também na consolidação do Mercosul e nas relações com a Argentina. O Mercosul, alardeado como prioridade máxima, terminou o ano sem se efetivar como união aduaneira e com o livre comércio estendido ao setor automotivo. Em paralelo, o chanceler Celso Amorim corria o mundo em uma tarefa bem mais relevante para o interesse nacional - impedir que fracassasse também a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). A atuação de Amorim em Hong Kong foi vitoriosa e a Rodada Doha vai prosseguir em 2006.
O governo envolveu-se ainda em outras duas tentativas frustradas. Uma delas foi a candidatura brasileira lançada de última hora para a direção-geral da OMC. Nas Américas, o Brasil só teve o voto do Panamá. Outra foi a corrida pela presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).


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