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Brasil
Lula entrega estatal que detonou crise aos peemedebistas. Foi a retribuição por apoio
A três meses de disputar a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu ceder o controle da empresa estatal em que nasceu a maior crise de seu governo ao PMDB, partido que abriu mão da candidatura própria à Presidência para oferecer um apoio informal aos petistas. Agora, a Empresa de Correios e Telégrafos ficará totalmente nas mãos de indicados peemedebistas.
As indicações publicadas no Diário Oficial da quinta-feira incluem novo presidente e três novos diretores para os Correios. A nova direção é toda ligada à bancada do PMDB no Senado - esses nomes teriam sido escolhidos pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pelo senador José Sarney (PMDB-AP) e pelo líder do governo Lula na Casa, senador Romero Jucá (PMDB-RR).
Lula quer o apoio da ala governista do PMDB para fortalecer os palanques regionais e ganhar adesão dessa bancada num eventual segundo mandato. Além de um "agrado" a esses parlamentares, a manobra é uma recompensa aos peemedebistas que lutaram contra a candidatura própria do PMDB. Sem um candidato peemedebista na briga, cresce a chance de vitória de Lula já no primeiro turno.
Com faturamento anual de 8,6 bilhões de reais e lucro de 393 milhões, os Correios gastariam cerca de 90 milhões de reais com publicidade em 2006. Foi ali que surgiu a crise no governo Lula, através de uma gravação divulgada por VEJA no ano passado - a imagem de um diretor da estatal recebendo dinheiro desencadeou todas as denúncias de corrupção envolvendo o PT e a Câmara.
Barganhas - A oposição reclamou muito da entrega dos Correios ao PMDB. "Não é possível que uma entidade como os Correios, que ficou tão exposta pelo que foi praticado ali dentro, seja motivo de barganha para abrigar apaniguados de partidos", afirmou o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) em discurso no plenário. No início da crise, o PMDB já tinha presidência e três diretorias.
Os peemedebistas defenderam as indicações, dizendo que o novo presidente (Carlos Henrique Almeida Custódio, nome proposto por Hélio Costa, ministro das Comunicações) e novos diretores são qualificados para os cargos. "O PMDB indicou pessoas técnicas e que têm experiência. Essas nomeações referendam que o PMDB está colaborando com o governo", afirmou Jucá sobre a retribuição.


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