17/03/2006 - 16:56
  • compartilharCOMPARTILHAR
  • imprimirIMPRIMIR
 

Brasil

Lula diz que 'deve muito' a Palocci e pede que oposição não atrapalhe o seu governo

Marcio Oyama

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, nesta sexta-feira, em discurso no porto de São Francisco do Sul (SC), onde visitou obras de ampliação. Lula disse que "deve muito" ao ministro. A declaração foi feita um dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) suspender o depoimento do caseiro Francenildo dos Santos Costa à CPI dos Bingos e de a oposição pedir a demissão de Palocci.

Nildo confirmou à comissão, pouco antes da interrupção determinada pelo STF, ter visto o ministro em uma mansão alugada por ex-assessores dele, em Brasília, para suposta prática de tráfico de influência. Em depoimento anterior à CPI, Palocci havia negado ter ido ao casarão - que já chamado de "casa do lobby".

"Eu devo muito de tudo que fizemos a um homem chamado Antonio Palocci. Não é economista, é médico, por isso, ele ganhou respeitabilidade no mundo inteiro pela sobriedade e pela seriedade no trato das questões econômicas", afirmou o presidente. Lula ainda pediu à oposição que não atrapalhe seu governo. "É justo fazer oposição, é democrático. Mas política tem de ser feita com sabedoria, inteligência e serenidade. Permitam que a gente conclua o nosso trabalho. Não atrapalhem. Não atrapalhem porque quem vai perder é o povo trabalhador desse país."

O presidente disse ainda que "política não pode ser feita com o esôfago, tem que ser feita com a cabeça". Também atacou as críticas à política econômica. "Por que resolveram mexer com a economia do país? Eu só posso entender que esse tipo de comportamento é para dizer: 'esses meninos não podem dar certo até o final do ano, nós temos que chegar lá com o Brasil em situação muito ruim'." E completou: "Ninguém é obrigado a gostar do governo nem de Palocci. Gostar é livre. O que eu quero é que as pessoas aprendam a gostar desse país e do povo brasileiro."

Demissão - Nesta quinta-feira, logo depois da interrupção do depoimento do caseiro à CPI, parlamentares do PFL e do PSDB passaram a defender abertamente a demissão do ministro Antonio Palocci. O governo, contudo, garantiu a sua permanência.

Ainda nesta sexta, já em Itajaí (SC), Lula disse a jornalistas que Palocci não pediu demissão. "Não pediu. E se pedisse, eu não aceitava."

Na quinta, a oposição foi implacável. "O PSDB cobra a demissão por entender que a economia está madura, que não vale mais o argumento de que ela se desestabiliza", disse o líder, Arthur Virgílio (AM). Pedro Simon (PMDB-RS) pediu afastamento de 30 dias. Já Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) foi além: "A grande verdade é que esse é um governo de ladrões. Tem homens sérios? Tem. Mas no PT e no governo tem ladrões."

Celso Daniel - O autor do pedido ao STF, o senador petista Tião Viana (PT-AC), defendeu sua decisão, dizendo que o depoimento do caseiro poderia "destruir a família" de Palocci - Nildo havia dito em entrevista que havia festas com garotas de programa na mansão supostamente freqüentada por Palocci. Viana afirma também que a CPI dos Bingos não pode mais extrapolar as funções.

Ele enumera outros sete assuntos que, conforme o PT, não deveriam ser tratados na comissão, como o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel, o transporte de dólares vindos de Cuba para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as acusações de caixa dois no PT e, mais uma vez sobre Palocci, as denúncias de irregularidades na Prefeitura de Ribeirão Preto.

Comentários


comentar

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais(e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para aprovação de comentários no site de VEJA
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados