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Brasil
Lula abre nova legislatura. Com campanha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o discurso de abertura da nova legislatura do Congresso Nacional, na tarde de quarta-feira, para defender as realizações de seu governo e reforçar o clima de campanha em Brasília. O pronunciamento, em que o presidente deve apresentar seus objetivos para o Congresso no ano, pouco se falou sobre a agenda legislativa para 2006.
O discurso foi lido pelo primeiro-secretário da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PL-PE), com presença de cerca de 200 dos 594 parlamentares, em grande maioria da base aliada ao governo. Conforme reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, só dois parágrafos apresentavam as metas para o ano. Já as realizações do governo dominaram 21 parágrafos.
Na mensagem, Lula faz apenas duas referências discretas à crise política - apesar de estar falando ao Congresso, que viveu o maior escândalo de seu passado recente. Na primeira menção, num trecho sobre economia, apenas foi usado o termo "turbulências políticas". Na outra referência à crise, fala-se em "investigações abertas sobre as denúncias de desvios publicadas em maio".
Encabulado - Na defesa das conquistas do governo, o pronunciamento de Lula incluiu informações manipuladas, como assentamento de 127.500 famílias no ano passado, número contestado pelo próprio MST. Falou-se também, por exemplo, em 21 bilhões de reais em novos investimentos em educação com fundo do ensino básico. Os novos recursos, no entanto, não devem passar dos 5 bilhões.
O ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, disse que a mensagem de Lula ao Congresso não teve tom eleitoral, mas sim um caráter "normal e equilibrado". O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), disse que a sessão foi "desinteressante" e que Lula tem uma relação encabulada com o Congresso. "Aqui não é uma Casa em que ele se sente bem", disse o oposicionista.


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