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Lista da CPI já tem 48 nomes e saques de 25,5 mi de reais. E sócia de Duda é citada
A lista de sacadores de contas das empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza continua crescendo. Até a noite de quarta-feira, a CPI dos Correios já havia identificado pelo menos 48 pessoas citadas - que, no total, retiraram mais de 25 milhões de reais das contas. Os novos nomes incluem mais um petista importante, um pefelista, um tucano e outra publicitária.
Sócia de Duda Mendonça, o marqueteiro da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Zilmar Fernandes da Silveira está na relação como sacadora de 250.000 reais da conta da SMP&B de Valério. Em nota divulgada à imprensa, Zilmar diz que recebeu 500.000 reais do PT como pagamento de serviço por uma empresa de que é sócia. Ela não quis falar à imprensa, assim como Duda.
O publicitário comandou toda a campanha de Lula à presidência e, com a vitória de seu candidato, continuou trabalhando com os petistas, agora no governo. Duda Mendonça tem contratos com a Petrobras, o Ministério da Saúde, e a Secretaria de Comunicação de Governo - para quem criou o slogan oficial do governo Lula, "Brasil, um paÃs de todos". Ele aconselha Lula com freqüência.
'EquÃvoco' - A lista apurada pela CPI envolveu também o economista Rodrigo Barroso Fernandes como um dos autores de saques. O economista é considerado braço direito do prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel. Coordenador financeiro da campanha de Pimentel em 2004 e presidente da Fundação Municipal de Cultura, Fernandes teria feito saque de 274.167,36 reais.
O economista afirma não ter feito nenhuma retirada de dinheiro de conta da SMP&B e, em nota à imprensa, prometeu ir à Justiça para "apurar se a inclusão do nome nessa lista é produto de equÃvoco ou má-fé". Ele pediu afastamento do cargo para poder se defender. Sua assinatura estaria no verso de um cheque do Banco Rural, mas seus assessores afirmam que a assinatura é falsa.
A inclusão de Fernandes na lista é uma das poucas citações a dirigentes regionais do PT entre os sacadores. Além dele, apenas três outros petistas foram identificados nos saques. Isso enfraquece a versão do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares de que os empréstimos cedidos por Marcos Valério cobririam despesas de campanha não contabilizadas do partido, em especial nos Estados.
Oposição - A última lista de sacadores inclui também pessoas ligadas ao PFL e ao PSDB, mas só uma delas admite ter realizado retirada de dinheiro de conta de Valério. Nestor Francisco de Oliveira, ligado ao deputado federal Roberto Brant (PFL-MG), já confirmou ter sacado dinheiro. O deputado também confirmou a operação.
Oliveira sacou 102.812,76 reais em agosto do ano passado. Brant explicou que esse dinheiro se refere a uma doação do presidente da Usiminas, Reinaldo Soares Campos, para sua campanha a prefeito de Belo Horizonte. O saque do valor foi feito da conta da SMP&B porque, segundo o deputado, esta era a agência de publicidade da Usiminas.
Já o ex-secretário de Radiodifusão do Ministério das Comunicações Paulo Menicucci, tucano que aparece na lista, disse que não sacou dinheiro das contas das empresas de Valério. Segundo ele, a inclusão de seu nome é uma manobra governista para ferir o seu partido. "Fiquei indignado", disse. Menicucci foi diretor dos Correios e é citado como autor de saque de 205.000 reais.
Cassação - Nos bastidores da CPI, comenta-se que já há indÃcios para a abertura de processos que levariam à cassação de pelo menos seis deputados. Oficialmente, contudo, os integrantes da comissão dizem que ouvirão todos os acusados e colherão outras provas antes de enviar as ações à Corregedoria da Câmara, que poderá iniciar o processo de cassação de mandato dos deputados.