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CPI dos Bingos
Para integrantes da CPI, violação da conta do caseiro ocorreu na presidência da CEF
Um integrante da CPI dos Bingos recebeu a informação de que a ordem para violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa partiu do gabinete da Presidência da Caixa Econômica Federal. Os dados, extraídos do sistema do banco com a senha de um gerente, teriam sido encaminhados por fax a um assessor especial do ministro Antonio Palocci Filho. O comando da Caixa admitiu o fato para três senadores integrantes da CPI. Os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR), Flávio Arns (PT-PR) e Wellington Salgado (PMDB-MG) estiveram no edifício-sede da Caixa, onde foram recebidos por seu presidente, Jorge Mattoso, e oito diretores.
Dias contou à reportagem do jornal O Estado de S.Paulo que ele próprio levou ao encontro uma cópia do extrato bancário do caseiro. Dirigentes da Caixa disseram que aquele tipo de extrato não pode ser retirado em máquina de auto-atendimento ou serviço de internet banking.
De acordo com o senador Dais, nesta quarta a comissão parlamentar de inquérito deve votar um requerimento pedindo o extrato original. Apesar de a diretoria da Caixa ter insistido na necessidade do documento original, Dias lembrou ser possível que se consiga apenas uma cópia bem legível. A CEF informou que a quebra do sigilo bancário está sob investigação de um grupo de auditoria, com prazo de 15 dias para terminar o trabalho e apontar os "eventuais" responsáveis pelo crime.
Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, funcionários da CEF teriam dito que a ordem para acessar a conta do caseiro foi encaminhada à Superintendência Nacional de Rede. Nesse departamento, a cópia do extrato teria sido feita por uma gerente. De acordo com os funcionários, ela não sabia que a operação estava sendo feita para quebrar o sigilo do caseiro. Acreditava ser algo rotineiro e encaminhou o documento para a chefia de gabinete de Mattoso. Daí, o extrato teria sido encaminhado ao assessor de Palocci.
Francenildo - Francenildo dos Santos Costa, de 24 anos, foi caseiro da casa alugada por ex-assessores de Palocci na Prefeitura de Ribeirão Preto durante oito meses, até o início de 2004. E diz ter visto o ministro Palocci várias vezes no local. Palocci afirma que nunca esteve na casa. A CPI dos Bingos investiga a participação do ministro em um esquema de lobby coordenado pelos ex-assessores.
Ainda de acordo com o depoimento do caseiro, a casa também usada para distribuição de dinheiro vivo, festas com garotas de programa e partidas de tênis. Palocci era chamado por todos de "chefe", segundo Francenildo. O caseiro teve seu depoimento à CPI interrompido na quarta-feira da semana passada por uma liminar do Supremo Tribunal Federal concedida a pedido do senador Tião Viana (PT-AC), depois de uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dois dias depois, dados bancários do caseiro foram divulgados pela imprensa.


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