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Brasil
Para impedir a pressão sobre Palocci, Lula quer o 'confronto direto' contra a oposição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou uma reunião da coordenação política, na noite desta segunda-feira, no Planalto. Durante o encontro, Lula orientou o PT tornar pública toda denúncia existente contra a oposição, caso tucanos e pefelistas mantenham o confronto com o governo e insistam em levar o ministro Antonio Palocci às CPIs. Irritado, o presidente assumiu o comando político e trocou o discurso de que "a campanha eleitoral é só no ano que vem" por outro: "Eles anteciparam a campanha. Então, a campanha é já", disse.
De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o governo vai enviar um intermediário nesta semana para conversar com o prefeito de São Paulo, José Serra, principal nome tucano na corrida presidencial de 2006. O emissário de Lula deverá dizer a Serra que se o enfrentamento continuar ninguém será poupado.
Para rebater a reportagem VEJA desta semana, sobre o envio de dinheiro cubano para a campanha de 2002, o PT ressuscitou o "Dossiê Cayman". A papelada que levou o nome de Cayman apareceu na campanha de 1998, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso concorria à reeleição. O dossiê denunciava uma conta mantida nas Ilhas Cayman pelos tucanos Sérgio Motta e José Serra, então ministros das Comunicações e da Saúde, e por Mário Covas, na época governador de São Paulo. A PF abriu inquérito e identificou um grupo de estelionatários que confessou a farsa. Eles forjaram a documentação em Miami e estão sendo processados na Justiça Federal.
O dossiê foi lembrado por Lula durante a reunião. Aos interlocutores, o presidente disse que a reação do governo deverá ser mais dura, caso a oposição insista em convocar o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para explicar as denúncias na CPI dos Bingos. Na reportagem de VEJA, quem levou os dólares cubanos em caixas de bebida foi Vladimir Poleto, ex-auxiliar de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto.
A tarefa de defender o governo está a cargo do PT, que nesta segunda também reuniu sua bancada na Câmara para avaliar a crise política. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), disse que a CPI perdeu o foco. Questionado sobre as investigações pedidas pelo PSDB e PFL, partiu para o ataque. "A oposição quer causar tumulto no processo, quer pôr lenha na fogueira", reagiu.


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