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2006
De forma camuflada, governo e oposição devem começar campanha já em janeiro
Katia Perin
Na teoria, governo e oposição dizem que é cedo para falar em eleições - que ocorrem em outubro. Na prática, porém, os dois lados já estão em campanha há muito tempo. E devem intensificá-la neste mês de janeiro, mesmo de que de forma camuflada. O presidente Luis Inácio Lula da Silva pretende percorrer neste mês municípios de pelo menos dez Estados onde haverá expansão de universidades públicas, conforme anunciou na quarta-feira. Os dirigentes do PSDB vão cruzar o país para costurar alianças e iniciar o embrião de um projeto comum de governo, como já anunciou o presidente dos tucanos, senador Tasso Jereissati. Ninguém está disposto a esperar.
As eleições deste ano estarão sob o impacto dos escândalos revelados em 2005. Haverá, por exemplo, menos dinheiro nas campanhas e a função dos marqueteiros de luxo será menos visível em decorrência do mensalão e de Duda Mendonça. A dobradinha PT-PL está ameaçada. Em compensação, PSDB e o PFL, vitoriosos em 1994 e 1998, e derrotados em 2002, podem se fortalecer. PPS, PDT e PSOL terão candidatos e esperam ser o fator decisivo da eleição.
O PDT não abre mão da candidatura própria à Presidência da República no primeiro turno. Tem três pré-candidatos: os senadores Cristovam Buarque (DF) e Jefferson Péres (AM) e o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa. Candidato oficial do PPS, o deputado Roberto Freire (PE) acha que a definição geral em todos os partidos só ocorrerá depois que for encontrada uma solução para a verticalização -a regra que obriga as coligações dos partidos nos Estados a obedecerem à que for feita no plano federal. Essa foi a norma que valeu para as eleições de 2002. O Supremo Tribunal Federal (STF) ou do próprio Congresso ainda devem decidir sobre isso.
O PT é o mais prejudicado entre os partidos, por ter se envolvido no escândalo do mensalão - o pagamento de mesada a parlamentares da base do governo - e do caixa 2, comandado pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares e operado pelo empresário Marcos Valério de Souza. "A crise fará com que o PT busque somente a ajuda de parceiros tradicionais, como o PC do B e o PSB", disse o secretário-geral petista, deputado estadual Raul Pont (RS), ao jornal.
Como parte da estratégia para ser candidato à reeleição, o presidente Lula aprova a pressão petista para que sinalize com um segundo mandato mais voltado para as bandeiras do partido do que para um controle rígido da economia. De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo, Lula pretende se apresentar candidato à reeleição em 2006 com um novo slogan. Sai o "Lulinha Paz e Amor", criado em 2002 pelo marqueteiro Duda Mendonça para conquistar a confiança dos mercados, e entra o Lula "Pai dos Pobres". Será uma tentativa de recuperar seu prestígio juntos aos mais carentes.


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