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Ex-secretário do PT diz que Valério queria arrecadar R$ 1 bilhão com o governo Lula
O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza pretendia arrecadar 1 bilhão de reais em sua atuação no governo Lula. O relato é de Silvio Pereira, antigo secretário-geral do PT, em entrevista publicada neste domingo pelo jornal O Globo. Depois de quase um ano de silêncio imposto pelo partido, o ex-dirigente petista revelou novas informações sobre o esquema de arrecadação de dinheiro para campanha eleitoral e sobre distribuição de cargos.
Pereira disse ter procurado a nova direção do PT para falar a respeito do esquema do valerioduto. Segundo ele, o partido não quis ouvir seus relatos. Falando ao Globo, o ex-secretário disse que o dinheiro do esquema vinha de empresas interessadas em obter contratos com o governo e ter seus interesses atendidos no Congresso. Marcos Valério seria um dos emissários para a arrecadação ilegal (que pagou as campanhas de 2004) junto às empresas.
"Ele tinha quatro pontos de interesse com o governo", diz Silvio sobre Valério. "O plano era faturar 1 bilhão de reais. Mas não deu certo." Conforme o ex-secretário, o dinheiro seria obtido em quatro áreas, todas ligadas ao governo, ainda que através de pendências: Banco Econômico, Banco Mercantil de Pernambuco, Opportunity e as operações de passivos na área da agropecuária. Ao falhar o esquema, o PT "virou refém de Marcos Valério", diz.
Segundo Pereira, "o Marcos Valério estabeleceu canais próprios com os petistas e com não-petistas. E tem muita gente, muitos partidos envolvidos. Só que tudo caiu na nossa conta." O ex-secretário afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tinha responsabilidade sobre o esquema e que o ex-ministro José Dirceu passou a manifestar desconforto com toda a situação depois que estava no governo, deixando de receber Marcos Valério.
'Cem Valérios' - Sobre o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, Pereira diz que ele "começou a usar Marcos Valério para pagar as contas. "O que aconteceu é que o Delúbio perdeu o controle. Da lista do Banco Rural, o Delúbio não sabia, não. Ele só sabia de três ou quatro deputados do PT. O resto, que recebeu no Banco Rural, não era esquema do Delúbio." Para Silvio, há muitos outros partidos envolvidos em esquemas e há "cem Marcos Valérios".
Ainda sobre o empresário, Pereira revelou que houve um acordo logo depois que o escândalo estourou, há quase 1 ano. "Ele disse: 'Olha, tenho três opções: entregar todo mundo e derrubar a República, ficar quieto e acabar como o PC Farias, ou o meio termo'. Foi isso." A primeira opção, segundo ele, "derrubaria a República" porque envolveria outros partidos e empresas. A opção em que ele contaria parte do que sabia foi escolhida pelo PT.
'Loucura' - Pereira afirma que a dívida de Valério como PT chegou em 120 milhões de reais e que, apesar de ter acumulado dívida em 2002, o partido repetiu os grandes gastos de campanha em 2004. "Uma loucura, o partido não podia assumir aquilo. Eu não me lembro dos valores. Mas aquilo nos afundou." Apesar de não culpar Lula, Silvio diz que o presidente mandava no partido e na campanha em 2002, com Dirceu, José Genoino e Aloizio Mercadante.
Sobre distribuição de cargos, Pereira fala que foi criada uma comissão no PT, com Genoino, Delúbio e ele. "Só não mexi com os fundos de pensão, que ficaram por conta do Marcelo Sereno e do Delúbio. Os maiores ficaram com o Luiz Gushiken." Pereira afirmou ainda que os petistas envolvidos não obtiveram dinheiro para enriquecimento pessoal. Ele admitiu ter errado ao aceitar um jipe de presente de uma empresa que presta serviços à Petrobras.


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