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Ex-presidente da Câmara se assustou com parecer. Petista e pefelista esperam votos
Na seqüência de processos contra os acusados de envolvimento no escândalo do "mensalão" na Câmara, um petista levou um susto na terça-feira: o ex-presidente da Casa, João Paulo Cunha (SP), ficou preocupado com a contundência do relatório que pediu a sua cassação. Nesta quarta-feira, mais dois acusados decidem seu futuro: Professor Luizinho (PT-SP) e Roberto Brant (PFL-MG).
Cunha foi à reunião do Conselho de Ética, na terça, confiante na absolvição - acreditava que o seu prestígio pessoal pudesse impedir a aprovação do relatório do deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS) sobre ele. O parecer, contudo, preocupou Cunha - pede a cassação com base em acusações de recebimento do dinheiro do "valerioduto", além de omissão e de mentiras sobre o escândalo.
O petista, que havia pedido aos aliados que não pedissem vista ao processo para atrasar o caso, mudou de posição na votação - sinalizou diante de todos à também petista Ângela Guadagnin (SP) que esperava o pedido de vista. Guadagnin, que passou a ser conhecida como a defensora dos "mensaleiros" no Conselho, sempre atrasando as processos contra os petistas, cumpriu o desejo.
A deputada havia iniciado seu voto dizendo que queria pedir vista, mas fora desaconselhada por Cunha. No meio da fala, porém, o ex-presidente da Câmara a interrompeu dizendo que ela deveria se sentir à vontade para votar da forma que quisesse. Depois da senha de Cunha, Ângela - que costuma contestar a existência do "mensalão" - enfim decidiu pelo adiamento, por uma semana.
Vulcânico - Cunha mostrou-se descontrolado depois da sessão. Culpando a imprensa e cobrando lealdade dos colegas, disse: "Meu Deus do céu! Vou ser cassado por isso? Quer dizer que tudo que eu fiz à Câmara, com a modéstia devida, não valeu nada?" César Schirmer, o relator, havia pedido aos deputados que não levassem em conta o prestígio de Cunha na hora de votar seu parecer.
Os deputados que participaram da sessão confirmaram que Cunha se assustou com o relatório "Ele confiou muito no prestígio de ex-presidente. Mas depois, na leitura, foi ficando branco, suando frio, a cada página lida ele ficava mais deprimido", disse Chico Alencar (PSOL-RJ). "O relatório é vulcânico. Ele ficou desesperado!", afirmou Nelson Trad (PMDB-MS) ao jornal O Globo.
Simpatia e amizade - Nesta quarta, as atenções estão voltadas para a votação em plenário de dois parlamentares envolvidos no caso do "mensalão", Luizinho e Brant. Ambos podem escapar da cassação - Brant tem a simpatia de muitos parlamentares, mesmo em outros partidos, e Luizinho tem muitas amizades na bancada governista, de que foi o líder. As votações ocorreriam à tarde.


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