27/04/2006 - 17:30
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Brasil

Ex-ministro Antonio Palocci é indiciado em mais quatro crimes pela Polícia Civil de SP

Silvio Nascimento

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci foi indiciado nesta quinta-feira por quatro crimes, entre eles formação de quadrilha e peculato, em supostas irregularidades nos contratos com empreiteiras no período em que foi prefeito de Ribeirão Preto em 2001 e 2002. O indiciamento foi feito pelo delegado Benedito Antônio Valencise, da Polícia Civil de São Paulo, que o acusa ainda de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Palocci prestou depoimento de pouco mais de duas horas e meia na Corregedoria-Geral de Polícia em Brasília sobre o inquérito que investiga contratos da prefeitura de Ribeirão Preto, em São Paulo, com empresas de limpeza pública na sua gestão. Ele chegou pouco antes das 14h e não falou com a imprensa. Foi ouvido pelo promotor do Ministério Público de São Paulo Daniel José de Andres e pelo chefe da Polinter de Brasília, Admar Brandão.

O depoimento ocorreu por meio de uma carta precatória enviada pelo delegado Valencise e Palocci negou todas as acusações. Mas já antes de iniciar o depoimento, já havia sido indiciado. De acordo com o promotor Daniel José, "a carta precatória já veio com a determinação de indiciamento". O documento, segundo ele, permitiu à polícia de Brasília ouvir Palocci, apesar de o inquérito ser presidido pela polícia paulista.

Na saída do depoimento, segundo a Agência Brasil, o advogado de Palocci, José Batocchio, negou que o ex-ministro tenha sido indiciado. "Não temos que nos ater a diferentes versãos, mas aos fatos." Disse ainda que Palocci "não teve participação direta" na assinatura dos contratos das empresas coma  prefeitura de Ribeirão. "A concorrência foi feita na gestão anterior, portanto, por outro prefeito. Ele recebeu contrato já licitado e em execução, que teve continuidade. Não existe um contrato ou termo de continuidade assinado por ele."

Prejuízos - Segundo o inquérito, a empresa Leão Leão pode ter feito contrato com a prefeitura de Ribeirão em que causou prejuízo de 70 milhões de reais para os cofres da cidade. O ex-assessor de Palocci, Rogério Buratti, disse que parte desse dinheiro teria sido usado para caixa dois do PT.

E mais uma vez, como aconteceu no depoimento à PF, Palocci tentou despistar a imprensa anunciando que falaria à polícia na Polinter, mas na verdade era na corrgedoria-geral.

O ex-ministro já foi indiciado pela PF como mandante da quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa, que confirmou ter visto Palocci em uma mansão em Brasília, onde supostamente seria distribuído o dinheiro arrecadado por meio de propinas em Ribeirão Preto. O caseiro teve um extrato de sua conta bancária publicado pela imprensa pouco após de confirmar as denúncias contra Palocci.

Na PF, Palocci responde pelos crimes de quebra de sigilo funcional, quebra a de sigilo bancário, prevaricação e denunciação caluniosa.

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