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Crise no governo Lula
Ex-auxiliar conta que Palocci pegava propina e dava ao PT
O advogado Rogério Tadeu Buratti, ex-secretário da prefeitura de Ribeirão Preto, no interior paulista, durante a primeira gestão de Antonio Palocci (1993-1996), afirmou nesta sexta-feira, em depoimento ao Ministério Público, que o atual ministro da Fazenda recebia propina de 50.000 reais por mês da empreiteira Leão Leão quando era o prefeito do município em sua segunda gestão (2001 a 2002). O suposto 'mensalão' tinha como objetivo garantir os contratos da empresa em licitações públicas para o serviço de coleta de lixo e limpeza na cidade. Após sair da prefeitura, em 1994, Buratti trabalhou como consultor da Leão Leão.
Segundo o promotor Sebastião Sérgio da Silveira, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), Buratti contou que o dinheiro era repassado por Palocci ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que já admitiu, em depoimento à CPI do Mensalão, ter montado um esquema de caixa dois para financiar campanhas políticas do partido.
Buratti afirmou que o ex-secretário da Fazenda de Ribeirão Ralf Barqueth era o encarregado de recolher - em dinheiro vivo - a propina na empreiteira e entregá-la a Delúbio, em São Paulo. O dinheiro vinha de contas nos bancos Bradesco e Santander. Barquete morreu de câncer, no ano passado. O esquema, segundo o advogado, continuou na gestão do prefeito Gilberto Maggioni (PT), de 2002 a 2004.
Superfaturamento - Na quinta-feira, ao ser preso sob acusação de lavagem de dinheiro e destruição de provas, Buratti prometeu "contar tudo" em troca de redução de pena. O advogado foi detido por conta do inquérito que apura a troca de três fazendas por duas empresas de ônibus de São Paulo feita por Buratti, operação que encobriria um possível esquema de lavagem de dinheiro. O valor da transação seria de 2,5 milhões de reais.
Buratti também responde a outro inquérito, que apura superfaturamento de contratos para a limpeza de lixo em dez municípios do interior paulista e em cidades do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os crimes são atribuídos à atuação do advogado como secretário de Governo de Ribeirão Preto, durante a primeira gestão de Palocci.
Buratti ainda é alvo de denúncias de corrupção contra a Gtech, investigadas pela CPI dos Bingos. Ele teria tentado extorquir 6 milhões de reais da empresa para que ela renovasse seu contrato com a Caixa Econômica Federal, em 2003.
Liberdade - Após o depoimento à polícia e ao Ministério Público, Buratti foi libertado e fez uma rápida declaração à imprensa, em tom de desabafo. Ele argumentou que, se cometeu algum erro, foi por razões políticas, por um projeto político. O advogado aceitou a proposta do Ministério Público estadual de delação premiada e afirmou que iria contar tudo o que sabe em troca da redução de pena e de sua liberdade provisória. Ele teria dito que teme por sua própria vida, e ouviu dos promotores que a melhor maneira de se proteger é falar.


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