31/10/2005 - 06:51
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Ex-assessor de Palocci depõe sobre envio de dinheiro cubano a Lula no dia 8, em CPI

Katia Perin

A CPI dos Bingos vai ouvir na terça-feira da semana que vem, dia 8, o ex-assessor do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na prefeitura de Ribeirão Preto (SP) Vladimir Poleto, acusado de transportar os 3 milhões de dólares que teriam sido doados pelo governo de Cuba à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. Poleto já havia sido convocado pela comissão para depor sobre a morte do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, e o suposto esquema de corrupção em Ribeirão, mas agora deverá falar também sobre as denúncias de VEJA.

Ainda nesta segunda-feira, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), encaminhou à CPI dos Bingos requerimentos convocando dez citados na reportagem - entre eles, outro assessor de Palocci em Ribeirão Preto, o advogado Rogério Buratti, que confirmou o envio do dinheiro cubano à campanha petista. Virgílio também pede a convocação do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do deputado José Dirceu (PT-SP), então presidente da legenda. Palocci, no entanto, ficou fora da lista. "Ele será convocado com o meu voto, mas só depois que essas pessoas ligadas a ele confirmarem as denúncias contra o ministro. Isso mostra a minha postura de sobriedade diante de denúncias tão graves", afirmou o líder tucano.

A linha de investigação a ser adotada pelos partidos de oposição pretende basear-se em três suspeitas de crime: dinheiro gasto e não declarado, o que contraria a Lei Eleitoral; pagamentos em contas no exterior sem comunicado à Receita Federal, o que indica crime contra a ordem tributária, e um partido, o PT, beneficiado por recursos externos. Essa prática é proibida pela Lei dos Partidos Políticos e prevê como pena a cassação do registro da legenda.

Para muitos parlamentares, a investigação-chave deve concentrar-se nos gastos com publicidade e nos pagamentos feitos ao publicitário Duda Mendonça. Ele admitiu ter recebido 9,5 milhões de dólares por uma offshore nas Bahamas, com conta em Miami. "Duda diz que recebeu no exterior por serviços prestados em 2003 ao PT, não em 2002, durante a campanha presidencial. A investigação completa das contas de 2002 vai mostrar que foram pagamentos para a campanha", disse o deputado tucano Eduardo Paes (RJ), da CPI dos Correios, ao jornal O Estado de S.Paulo. Para o tucano, a "oposição foi até agora conivente com a irresponsabilidade do PT e do governo. "Blindamos o Lula quando não investigamos o suficiente para mostrar que certas determinações legais foram descumpridas na campanha."

Segundo Virgílio, a representação que a oposição apresentará ao Ministério Público nesta semana pedirá apuração mais ampla sobre as contas de campanha de Lula. Virgílio diz que o MP deve entrar no caso após os envolvidos prestarem depoimento nas CPIs.

VEJA - Reportagem de VEJA desta semana informa que o comitê eleitoral de Lula recebeu 3 milhões de dólares do governo cubano entre agosto e setembro de 2002. A reportagem descreve ainda qual teria sido o percurso do dinheiro até São Paulo - o transporte foi feito em três caixas de bebida que chegaram a Brasília, foram levadas para Campinas e entregues em São Paulo para o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

As duas fontes citadas na reportagem são Rogério Buratti e Vladimir Poleto. O principal articulador do esquema, citado pelos dois, seria o também ex-assessor de Palocci Ralf Barquete, que morreu em junho de 2004, vítima de câncer.

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