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Brasil
Empresário diz que Delúbio pediu dinheiro
Novos relatos dos empresários ligados ao Opportunity complicaram a situação do governo e do PT em sua disputa contra o grupo. Carlos Rodenburg, ex-sócio do Opportunity, confirmou que o partido pediu dinheiro depois da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E Daniel Dantas, o controlador do grupo, revelou uma suposta tentativa do governo de interferir no Judiciário.
Em entrevista publicada nesta terça-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, o empresário Rodenburg diz que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares pediu o dinheiro "uns quatro meses" depois da chegada do partido ao poder. Segundo ele, o valor pedido era de "40 a 50 milhões de dólares" - na época, com uma cotação do dólar mais alta, seria o equivalente a até 145 milhões de reais.
"Ele comentou que havia um déficit lá para cobrir, em torno de 40, 50 milhões de dólares. Disse que precisava que isso fosse ajustado, saldado. E de forma muito clara, muito objetiva, perguntou se nós podíamos ajudá-lo, pois era importante para ele", relata Rodenburg. Conforme o empresário, Delúbio não disse quem estava por trás do pedido. A conversa não foi levada adiante.
O ex-tesoureiro petista não comentou as declarações do empresário. Ainda conforme Rodenburg, o publicitário Marcos Valério de Souza estava no encontro, mas "saía a toda hora para atender telefonemas". A informação de que Delúbio Soares pediu dinheiro ao Opportunity foi revelada numa entrevista de Daniel Dantas a VEJA desta semana. O partido nega ter feito o pedido ao grupo.
Justiça - Também em entrevista à Folha, Daniel Dantas afirma ter recebido informações de que o governo pressionou um ministro do Superior Tribunal de Justiça para prejudicar o Opportunity e favorecer os fundos de pensão na disputa pela Brasil Telecom. Conforme ele, "teria havido a intervenção do ministro Antonio Palocci junto ao ministro Edson Vidigal" para ajudar os fundos.
"Fui conferir e ouvi de uma pessoa que esteve com Palocci que o próprio teria dito não ter sido ele diretamente, mas alguém ligado a ele", relata Dantas. Sobre o tipo de pressão que teria sido exercida pelo governo sobre a Justiça, o controlador do Opportunity disse não ter detalhes. "Não sei. Mas houve pedido do governo." Vidigal assinou liminares favoráveis aos fundos.
O ex-ministro da Fazenda e o ex-presidente do STJ negaram a acusação. O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, afirmou que a suspeita levantada por Dantas "não tem o menor fundamento". "Acho que ele está atirando no escuro e querendo acertar a pessoa errada", disse ele. Já Vidigal disse que a acusação do empresário é "injuriosa e atentatória à dignidade da Justiça".


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