20/01/2006 - 07:55
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Brasil

Duda Mendonça transferiu R$ 4 milhões a parentes e empresas antes de falar à CPI

Marcio Oyama

Dias antes de prestar depoimento à CPI dos Correios, no dia 11 de agosto do ano passado - em que admitiu ter recebido dinheiro ilegalmente no exterior pelos serviços prestados à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002 -, o publicitário Duda Mendonça transferiu 4 milhões de reais de sua conta pessoal no BankBoston para parentes e uma de suas empresas. A informação foi publicada nesta sexta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo.

Os repasses também coincidem com revelações de depoentes na comissão envolvendo o nome de Duda. Para a CPI, as transações demonstram o temor do publicitário de ter o dinheiro retido, caso fosse decretado um bloqueio judicial de seus bens. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), sub-relator de movimentação financeira, disseram que, agora, se torna inevitável a convocação do publicitário para depor na comissão. "Fica a suposição de que ele imaginava alguma provisão de natureza legal, como o bloqueio de suas contas ou qualquer outro tipo de providência que viesse a dificultar sua movimentação financeira", afirmou Dias à Folha.

Segundo documentos obtidos pelo jornal, no dia 5 de agosto de 2005, Duda transferiu, de sua conta pessoal, 500.000 reais para o genro Marcelo Mascarenhas Kertész e 2,5 milhões para a Nov Patrimonial Ltda., pertencente aos seus cinco filhos, com sede na Bahia. Um dia antes das operações, o policial civil mineiro David Rodrigues Alves havia prestado depoimento à comissão. David foi apontado pelo empresário Marcos Valério de Souza como o responsável pelo repasse dos recursos do "valerioduto" para Duda.

No dia 9, o jornal Correio Braziliense divulgou a existência de uma conta de Duda no exterior chamada Dusseldorf, que teria recebido recursos do "valerioduto". No dia 10, o publicitário prestou depoimento à Polícia Federal, quando admitiu pela primeira vez a existência da Dusseldorf e o esquema de caixa dois do PT. No mesmo dia, transferiu 1 milhão de reais para a Duda Mendonça Associados.

No dia 11, Duda falou - expontaneamente - à CPI, quando reafirmou ter criado a Dusseldorf e aberto uma conta em nome dela por orientação de Marcos Valério. Segundo ele, por meio da conta no exterior, recebeu 10,5 milhões de reais. No dia 16, diz a Folha, Duda transferiu mais 300.000 para outra de suas empresas, a CEP Comunicação e Estratégica Política Ltda.

O advogado do publicitário, Tales Castelo Branco, afirmou que a transferência de 4 milhões de reais dias antes do depoimento à CPI foi coincidência. Segundo Branco, os valores devem-se a empréstimos "da vida privada" de Duda. "A ida dele à CPI foi um mero acaso, ele não estava nem esperando que isso acontecesse. A vida dele não parou por causa disso", disse o advogado.

Ele negou que a intenção do publicitário tenha sido proteger seu patrimônio e afirmou que o dinheiro foi devolvido na conta bancária pessoal de Duda entre setembro e dezembro de 2005. O advogado pediu tempo para apresentar extratos que comprovem sua versão. A CPI não identificou a volta do dinheiro, mas isso não significa que ela não tenha ocorrido, já que ainda faltam ser identificados 2,82 bilhões de reais nas planilhas do BankBoston em poder da comissão.

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