21/02/2006 - 07:58
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Brasil

A disputa entre Serra e Alckmin paralisa o PSDB. Escolha final é adiada pelo partido

Katia Perin

A indecisão dos tucanos em apoiar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ou o prefeito José Serra à candidatura presidencial pode retardar a escolha para um prazo além do desejável por todos. A disputa hoje está centrada na chance de os "excluídos" do PSDB opinarem na escolha, para que a palavra final não fique apenas nas mãos do triunvirato formado pelo presidente do partido, Tasso Jereissati (CE), pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e pelo governador Aécio Neves (MG).

Depois do jantar entre os três líderes e o prefeito Serra na semana passada, a temperatura das discussões elevou a um grau preocupante. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos integrantes do triunvirato, disse nesta segunda que o alto comando é "facilitador" e não "decisor": "Se não formos felizes em criar uma situação favorável ao consenso, o partido tem de ser ouvido mais amplamente", disse. Mas FHC não defende a realização de prévias, idéia do grupo de Alckmin.

O agravamento do impasse tucano começou no fim de semana, quando Alckmin acirrou a disputa, deixando claro que não vai desistir da candidatura. Ele estabeleceu prazo para deixar o governo de São Paulo - 31 de março - e até já anunciou slogans de campanha.

Nesta segunda, o governador voltou a balizar a ação do triunvirato, declarando que a escolha do candidato à Presidência não pode ficar restrita à cúpula do partido. "Eles não vão decidir, eles vão apenas interpretar o sentimento partidário", afirmou Alckmin. O governador admitiu que "ouvir, dialogar e conversar são tarefas da direção". Alckmin deve almoçar nesta terça com os trinvirato tucano. À noite, ele embarca para Brasília, onde tem um jantar com as bancadas do PSDB na Câmara e no Senado.

Com o impasse, os tucanos estão em tempo de cautela. "Precisamos de tempo para arrumar as coisas", disse o deputado Alberto Goldman (SP), um serrista que tem boas relações com Alckmin. "As próximas duas semanas, com o Carnaval no meio, vão ajudar a recompor as conversas", amenizou o vereador José Aníbal, defensor de Alckmin. O adiamento na escolha do nome contraria o cronograma estabelecido sexta-feira pelo triunvirato - logo depois do Carnaval.

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