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Em discurso de candidato no ABC, Lula diz que o povo o julgará nas urnas em outubro
Um dia depois de aparecer, com discurso de candidato, em rede nacional de TV, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a usar as comemorações do Dia do Trabalho para tentar impulsionar sua tentativa de reeleição. Ele até admitiu sem querer que é mesmo candidato, algo que oficialmente continua negando - afirma que só decidirá a respeito em junho. Sobre a crise política e todas as denúncias, Lula disse esperar o "julgamento das urnas".
As declarações foram feitas na participação de Lula na missa do Primeiro de Maio na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, em São Bernardo do Campo, região do ABC paulista. A admissão da candidatura à reeleição veio em um ato falho do presidente. "O PT tem que ter maturidade para saber a importância da reeleição, a importância da aliança política para o processo de reeleição", afirmou ele, ao comentar a montagem da aliança de seu partido.
Lula completou em seguida que não está cobrando uma posição do partido. "O PT sabe que não estou pressionando, que tenho tranqüilidade. Eu tenho até o dia 30 de junho para decidir", completou, retomando o discurso de que ainda está indeciso. Na semana passada, Lula já havia admitido indiretamente sua candidatura, ao dizer que, se fosse candidato declarado, ficaria impedido de participar das inaugurações de obras e dos eventos do governo.
Baixo nível - Em referência às críticas contra seu partido e o governo, Lula disse que se manterá em silêncio. "Eu ando vendo algumas pessoas nervosas, irritadas, xinga para cá, xinga para lá, e eu não respondo, porque eu acho que o julgamento dessa gente e o meu julgamento não pode ser feito pelo baixo nível da disputa, tem que ser feita pelo comportamento do povo", disse. "São vocês que vão julgar quem é quem na política brasileira."
Lula foi muito aplaudido ao falar no "julgamento das urnas" - e ouviu parte da platéia cantar "Um, dois, três, Lula outra vez". O presidente participa todos os anos da missa de Primeiro de Maio na igreja em São Bernardo desde 1979. Ao lado dele nesta segunda-feira estavam a primeira-dama Marisa Letícia, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e ambos os pré-candidatos do PT ao governo de São Paulo (Marta Suplicy e Aloizio Mercadante).


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